Jesus de Nazaré
– a Boa Nova para o século 21 (39)
O
Nazareno fala do fim dos tempos – O discurso escatológico nos evangelhos (1)
Jesus de Nazaré
atuou num mundo marcado por expectativas extraordinárias. O império romano que
substituiu os anteriores estava introduzindo uma mudança qualitativa no exercício
do imperialismo. Algo parecido está acontecendo na atualidade. O imperialismo
dos EUA que tem a seu serviço tecnologias e técnicas nunca antes vista estão sendo
usadas para recolonizar e ‘re-escravizar’ os povos com muito mais eficácia e
sofisticação do que os romanos, atrás das fachadas de globalização e
neoliberalismo.
É neste contexto
que examinamos os primeiros doze capítulos do Evangelho de Marcos com o intuito
de conhecermos melhor a pessoa de Jesus de Nazaré. E agora passamos a estudar
um capítulo especial que, por assim dizer, faz a ponte entre a narrativa de práxis
de Jesus e a narrativa do seu fim inglorioso pelas mãos de “autoridades
constituídas”. Cristãos acreditam, desde sempre, que no Nazareno se plenifica definitivamente
o plano salvífico de Deus para a humanidade. Este plano teria sido revelado
progressivamente na história de Israel. Usamos essa chave hermenêutica para:
(1) analisarmos os textos que falam dos milagres que o profeta itinerante
realizou; (2) estudarmos suas parábolas que explicam o significado de Reino de
Deus; e (3) finalmente perscrutarmos suas interpretações das leis e costumes
tradicionais do seu povo. Isso tudo evidenciou a instauração do Reino de Deus, que
é uma radical novidade na história humana, que ele anunciava. Nós vimos que os
evangelistas também deixaram registrado as reações diversificadas que a práxis
do rabino Jesus deu origem nas camadas diversas da sociedade palestinense do
seu tempo.
Agora, para
passarmos a examinar o capítulo 13 do Evangelho de Marcos, conhecido como o
discurso escatológico: é conveniente elucidar sobre “o discurso escatológico”
para melhor compreender o texto de capítulo 13 de Marcos. Escatologia é a disciplina
que trata das coisas que devem acontecer no fim dos tempos, ou melhor: o
discurso sobre o destino final do homem e do mundo; este pode apresentar-se em
discurso profético ou em contexto apocalíptico. Apareceu aqui outra expressão:
“contexto apocalíptico”, que pede um esclarecimento maior. Apocalipse, uma
palavra que vem da língua grega que significa “revelação”; ao longo de tempo, este
termo passou-se a designar os relatos escritos dessas revelações, que constituem
um gênero literário bíblico (literatura apocalíptica). Vale notar que, principalmente
nos momentos de mudanças fundamentais, assim como no momento que vivemos no
início do século 21, o ser humano fica ansioso sobre o futuro. A literatura
apocalíptica discorre sobre essa ansiosa busca sobre o futuro do ser humano.
Considerando que
os textos dos evangelhos chegaram a sua redação final pelo menos quarenta anos
depois da morte e ressurreição de Jesus, não é de estranhar ao encontrar as
experiencias das comunidades primitivas, na forma de profecias “in vaticínio”
na boca de Jesus. “In vaticínio”, quer dizer, colocar as experiencias que as
comunidades primitivas tinham passado, como previsões, na boca de Jesus. A
história registra que as comunidades dos seguidores de Jesus que surgiram
depois da morte e ressurreição do Nazareno foram perseguidas pelos romanos e os
próprios judeus, assim como Jesus de Nazaré foi atormentado no seu tempo. É necessário
mencionar que já no texto do capítulo 13 encontramos os elementos constitutivos
da perseguição dos cristãos de todos os tempos. Outra observação é que, foi no
primeiro século d.C. que o império romano extinguiu a nação judaica e esta
seria reconstituída somente na segunda metade do século 20.

Nenhum comentário:
Postar um comentário