segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Jesus, o Nazareno é o caluniado.

Jesus, o Nazareno é o caluniado.

Na atualidade os meios de comunicação no poder das elites, estão todos empenhados em difamar, através de uma campanha bem orquestrada para denegrir a ideologia petista e promover a ideologia neoliberal imperialista. Há milhares de “piedosos” e “puros”, vitimas desta campanha fascinante, porém caluniadora, angustiados e medrosos do perigo do “comunismo que pode tomar conta do Brasil”. Há alguns dias, eu estava num grupo de jovens acostumados com das práticas típicas da onda de “neo-devocionismo” que perpassa a Igreja Católica. Fizemos uma reflexão sobre a realidade política atual brasileira. Houve uma manifestação de medo do “comunismo” entre os mais jovens. Porém, um deles de 30 anos, tomou a palavra disse o seguinte: “No tempo de FHC vivemos sob muita pressão na questão de dinheiro; e depois a cosa melhorou; meu pai conseguiu reformar a nossa casa, e até comprar um carro para nós”. Se este “fantasma comunismo” que os coitados piedosos temem tanto, refere aos governos petistas, um período de prosperidade material e mobilidade social, inusitadas, evidencia-se no povo incapacidade extraordinária de avaliar o momento que se vive como também distinguir entre propaganda maliciosa e fatos evidentes; apontando para o sucesso desta propaganda dissimulada.

Os trechos dos evangelhos que vamos examinar hoje (Mc 3,22-30; Mt 12,22-32; Lc 11,14-23; 12,10) nos demostram que o que a gente vive agora, tinha sua versão própria no tempo de Jesus. Aqui é necessário recordar que a intenção teológica do Autor de Marcos é retratar o Filho de Deus que foi rejeitado e combatido a cada passo pelos detentores de poder, até que conseguissem condená-lo, e assassiná-lo na cruz, claro “na forma da lei”. Nós já vimos no primeiro bloco de narrativas da práxis de Jesus de Nazaré (cf. Mc 1,40-3,6) os governantes, observando as práticas de Jesus, perceberam o perigo que ele apresentava para o sistema que lhes assegurava privilégios e decidiram matá-lo. Eles já estavam a procura de uma maneira de conseguir prendê-lo de maneira “legal”. A imensa popularidade do Nazareno era um fator que atrapalhava seus planos. Com essas observações vamos passar para o episódio encontrado nos evangelhos sinóticos.

Enquanto o texto de Marcos (3,22-30) fala de doutores da Lei, vindo de Jerusalém começaram caluniar o Nazareno, acusando o de ser possuído de Beelzebu, o texto de Mateus (12,22-31) coloca a cura de um endemoninhado cego e mudo e o espanto que o acontecido causou nas multidões como o contexto de acusação. Por sua parte o texto de Lucas (11,14-23) concorda com o de Mateus. Essa campanha dos representantes dos poderosos levou Jesus questionar a prática bem comum de exorcismos naquele tempo. Jesus também mostrou a incoerência dos doutores, que o acusavam de expulsar demônios por estar em conluio com o chefe deles. Já que é a experiência comum: a divisão sempre enfraquece a família ou a organização onde ela existe; então dizer que Jesus expulsa satanás com a ajuda do próprio satanás é incongruente.

Aqui é importante notar que Jesus defende sua práxis, de maneira especial, o exorcismo, como o sinal da chegada do Reino de Deus que ele anunciava desde a prisão de João Batista (cf. Mc 1,15). Tendo mostrado que a acusação dos escribas não tinha sentido, Jesus revela o propósito mais profundo de sua ação: enfrentar até o fim o poder maléfico, destruidor da vida e da liberdade. Quem se coloca na contramão desse projeto, aquele que se opõe a que os seres humanos possam viver de maneira digna e livre, coloca-se fora e distante da graça de Deus e do perdão que ele concede.

Temos aqui uma afirmação sobre a blasfêmia contra o Espírito que jamais terá perdão (Mc 3,29). É uma elaboração teológica posterior da comunidade dos seguidores do rabino Jesus sobre a radical novidade que ele representa. Com efeito, Gn 1,1 fala da presença do vento/sopro/Espírito (RUAH) no início de tudo, a criação. A compreensão cristã da pessoa de Jesus é de ele ser o início da “nova criação”. As curas e os exorcismos que os evangelistas nos apresentam, são marcas do início dessa nova criação. Ao acusar Jesus de estar possuído por demônio para poder expulsar demônios é negar o plano de Deus que se revela em Jesus e colocar-se fora deste desígnio de Deus para sempre. É um processo, quer dizer a instauração da nova criação, que se realiza na história humana através da ação política, entre outras, ao longo dos séculos.  Não há dúvida de que a campanha caluniosa midiática desta semana contra a política petista, com sua complementação favorável da parte do judiciário, pode ser compreendida deste ponto de vista! A indignação, que porventura, sentida contra a injustiça que fizeram com Jesus de Nazaré, é mais bem transformada em ação concreta contra a injustiça praticada pelas elites contra seus adversários em nossos dias. 

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