Jesus, o Nazareno é o caluniado.
Na atualidade os meios de comunicação no poder das elites,
estão todos empenhados em difamar, através de uma campanha bem orquestrada para
denegrir a ideologia petista e promover a ideologia neoliberal imperialista. Há
milhares de “piedosos” e “puros”, vitimas desta campanha fascinante, porém
caluniadora, angustiados e medrosos do perigo do “comunismo que pode tomar
conta do Brasil”. Há alguns dias, eu estava num grupo de jovens acostumados com
das práticas típicas da onda de “neo-devocionismo” que perpassa a Igreja
Católica. Fizemos uma reflexão sobre a realidade política atual brasileira. Houve
uma manifestação de medo do “comunismo” entre os mais jovens. Porém, um deles
de 30 anos, tomou a palavra disse o seguinte: “No tempo de FHC vivemos sob
muita pressão na questão de dinheiro; e depois a cosa melhorou; meu pai
conseguiu reformar a nossa casa, e até comprar um carro para nós”. Se este “fantasma
comunismo” que os coitados piedosos temem tanto, refere aos governos petistas, um
período de prosperidade material e mobilidade social, inusitadas, evidencia-se no
povo incapacidade extraordinária de avaliar o momento que se vive como também
distinguir entre propaganda maliciosa e fatos evidentes; apontando para o
sucesso desta propaganda dissimulada.
Os trechos dos evangelhos que vamos examinar hoje (Mc
3,22-30; Mt 12,22-32; Lc 11,14-23; 12,10) nos demostram que o que a gente vive
agora, tinha sua versão própria no tempo de Jesus. Aqui é necessário recordar
que a intenção teológica do Autor de Marcos é retratar o Filho de Deus que foi
rejeitado e combatido a cada passo pelos detentores de poder, até que
conseguissem condená-lo, e assassiná-lo na cruz, claro “na forma da lei”. Nós
já vimos no primeiro bloco de narrativas da práxis de Jesus de Nazaré (cf. Mc
1,40-3,6) os governantes, observando as práticas de Jesus, perceberam o perigo
que ele apresentava para o sistema que lhes assegurava privilégios e decidiram
matá-lo. Eles já estavam a procura de uma maneira de conseguir prendê-lo de
maneira “legal”. A imensa popularidade do Nazareno era um fator que atrapalhava
seus planos. Com essas observações vamos passar para o episódio encontrado nos
evangelhos sinóticos.
Enquanto o texto de Marcos (3,22-30) fala de doutores da Lei,
vindo de Jerusalém começaram caluniar o Nazareno, acusando o de ser possuído de
Beelzebu, o texto de Mateus (12,22-31) coloca a cura de um endemoninhado cego e
mudo e o espanto que o acontecido causou nas multidões como o contexto de
acusação. Por sua parte o texto de Lucas (11,14-23) concorda com o de Mateus. Essa
campanha dos representantes dos poderosos levou Jesus questionar a prática bem comum
de exorcismos naquele tempo. Jesus também mostrou a incoerência dos doutores, que
o acusavam de expulsar demônios por estar em conluio com o chefe deles. Já que
é a experiência comum: a divisão sempre enfraquece a família ou a organização onde
ela existe; então dizer que Jesus expulsa satanás com a ajuda do próprio
satanás é incongruente.
Aqui é importante notar que Jesus defende sua práxis, de
maneira especial, o exorcismo, como o sinal da chegada do Reino de Deus que ele
anunciava desde a prisão de João Batista (cf. Mc 1,15). Tendo mostrado que a
acusação dos escribas não tinha sentido, Jesus revela o propósito mais profundo
de sua ação: enfrentar até o fim o poder maléfico, destruidor da vida e da
liberdade. Quem se coloca na contramão desse projeto, aquele que se opõe a que
os seres humanos possam viver de maneira digna e livre, coloca-se fora e
distante da graça de Deus e do perdão que ele concede.

Nenhum comentário:
Postar um comentário