Jesus de Nazaré, a Boa Notícia para o século 21 (20)
Mesmo condenado, Jesus de Nazaré segue firme.
1. A multidão segue Jesus (Mc 3,7b-12; Mt 12,9-15a; Lc
6,6-11)
Nós falamos da decisão das autoridades constituídas, que perceberam
a ameaça que Jesus de Nazaré apresentava para o sistema assassino que eles
impunham rigorosamente, para mata-lo, o Nazareno se retirou com seus discípulos
para a beira do mar (cf. Mc 3,6-7; Mt 12,14; Lc 6,11). Mesmo nessa situação
tensa, a multidão, vindo de muitos lugares vizinhos, seguia o Nazareno, pois
este oferecia a esperança de se livrar das garras deste sistema iníquo e
mortífero que privilegiava as elites. Aqui é necessário ir além de uma leitura
fundamentalista e compreender a natureza e a qualidade de metáfora dos textos
que falam das “curas” e “exorcismos” que o rabino ‘taumaturgo’ realizava.
Por causa da multidão que o comprimia, Jesus pediu seus
discípulos que arrumassem um barco para poder atender a todos que procuravam
chegar perto dele ao mesmo tempo. Aqui nos vv.10-12 temos um segundo resumo das
atividades libertadoras de Jesus: a cura das doenças e os exorcismos. Os
espíritos maus reconheciam sua identidade de Filho de Deus e a divulgava, mas foram
proibidos a fazer isto. Esta proibição refere à percepção que a comunidade
tinha da inconveniência da divulgação da natureza do messianismo Jesus num
ambiente viciado por expectativas diversas, até contrárias.
2. A escolha dos doze
Nessa conjuntura é que o texto de Marcos nos fala da escolha
dos doze (Mc 3,13-19//Mt 10,1-4//Lc 12,12-16). Jesus, vendo a tamanha
necessidade da libertação do povo oprimido, toma medidas para ampliar a abrangência
do seu ministério; constituiu um grupo de doze para ficar com ele a fim de
enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios. Hoje nós diríamos
sobre a missão: libertar a população de todo tipo de dominação que tira a
capacidade de viver uma vida plena aqui na terra, para começar. A lista dos
doze nomes dos componentes do grupo é encontrada nos três evangelhos sinóticos;
é notável que a lista contenha o nome de Judas Iscariotes, aquele que o
entregaria aos poderosos que já vão tramando a morte de Jesus “na forma da lei”.
Quanto à traição, a memória da traição que um programa de governo pelos
parceiros do PT para levar o Brasil à idade das trevas (em 2016) é muito
recente. É um aspecto que marca a realidade humana desde sempre e, em toda
probabilidade, para sempre!
3. Conflito na família
Na sequência, temos uma informação que somente o Evangelho tem:
Jesus foi para sua casa, mas a multidão o seguiu e tanta gente se aglomerou ao
seu redor que nem tinha tempo para descansar ou comer. Diante de tal ativismo
febril, os parentes de Jesus tentaram detê-lo pensando que ele ficara louco (Mc
3,20-21).
A família tinha conhecimento da decisão das elites para
matar Jesus; a família também era ciente da popularidade de Jesus que gerava entusiasmo
popular inusitado e assustador. Como uma família comum que levava a vida como
todas as outras, certamente esta mudança repentina no comportamento de Jesus e
as reações resultantes, naturalmente deixaram seus parentes apreensivos!
Tentaram fazer o que achavam convenientes, aparentemente, sem os resultados
desejados!
4. A nova família de Jesus
Um pouco mais adiante encontramos no Evangelho de Marcos o
texto que fala da nova família de Jesus (Mc 3,31-35; Mt 12,46-50; Lc 8,19-21). Foram
a mãe e os irmãos de Jesus para ter com ele. Como não conseguissem chegar perto
dele por causa da multidão, mandou recado dizendo que sua mãe e os irmãos
estavam a sua procura. A reação de Jesus não é nada do que acontece normalmente
nestes casos. Ele fez uma pergunta retórica sobre quem seriam seus irmãos e sua
mãe. Então ele olhou para os muitos que estavam sentados ao seu redor e declarou
“Eis minha mãe e meus irmãos. Pois quem fizer a vontade de Deus, esse é meu
irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3,34-35). É uma radical novidade; o
parentesco no Reino de Deus tem critérios diferentes do que a tradicional consanguinidade.
Comunidades dos seguidores de Jesus vivem essa “família nova”; tenho a certeza
de que muitos dos nossos leitores têm experiência desta vivência na nova
família do Reino.
5. A dificuldade de entender Jesus

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