segunda-feira, 24 de setembro de 2018 0 comentários

Mesmo condenado, Jesus de Nazaré segue firme

Jesus de Nazaré, a Boa Notícia para o século 21 (20)
Mesmo condenado, Jesus de Nazaré segue firme.

1. A multidão segue Jesus (Mc 3,7b-12; Mt 12,9-15a; Lc 6,6-11)

Nós falamos da decisão das autoridades constituídas, que perceberam a ameaça que Jesus de Nazaré apresentava para o sistema assassino que eles impunham rigorosamente, para mata-lo, o Nazareno se retirou com seus discípulos para a beira do mar (cf. Mc 3,6-7; Mt 12,14; Lc 6,11). Mesmo nessa situação tensa, a multidão, vindo de muitos lugares vizinhos, seguia o Nazareno, pois este oferecia a esperança de se livrar das garras deste sistema iníquo e mortífero que privilegiava as elites. Aqui é necessário ir além de uma leitura fundamentalista e compreender a natureza e a qualidade de metáfora dos textos que falam das “curas” e “exorcismos” que o rabino ‘taumaturgo’ realizava.
Por causa da multidão que o comprimia, Jesus pediu seus discípulos que arrumassem um barco para poder atender a todos que procuravam chegar perto dele ao mesmo tempo. Aqui nos vv.10-12 temos um segundo resumo das atividades libertadoras de Jesus: a cura das doenças e os exorcismos. Os espíritos maus reconheciam sua identidade de Filho de Deus e a divulgava, mas foram proibidos a fazer isto. Esta proibição refere à percepção que a comunidade tinha da inconveniência da divulgação da natureza do messianismo Jesus num ambiente viciado por expectativas diversas, até contrárias.

2. A escolha dos doze

Nessa conjuntura é que o texto de Marcos nos fala da escolha dos doze (Mc 3,13-19//Mt 10,1-4//Lc 12,12-16). Jesus, vendo a tamanha necessidade da libertação do povo oprimido, toma medidas para ampliar a abrangência do seu ministério; constituiu um grupo de doze para ficar com ele a fim de enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios. Hoje nós diríamos sobre a missão: libertar a população de todo tipo de dominação que tira a capacidade de viver uma vida plena aqui na terra, para começar. A lista dos doze nomes dos componentes do grupo é encontrada nos três evangelhos sinóticos; é notável que a lista contenha o nome de Judas Iscariotes, aquele que o entregaria aos poderosos que já vão tramando a morte de Jesus “na forma da lei”. Quanto à traição, a memória da traição que um programa de governo pelos parceiros do PT para levar o Brasil à idade das trevas (em 2016) é muito recente. É um aspecto que marca a realidade humana desde sempre e, em toda probabilidade, para sempre!

3. Conflito na família

Na sequência, temos uma informação que somente o Evangelho tem: Jesus foi para sua casa, mas a multidão o seguiu e tanta gente se aglomerou ao seu redor que nem tinha tempo para descansar ou comer. Diante de tal ativismo febril, os parentes de Jesus tentaram detê-lo pensando que ele ficara louco (Mc 3,20-21).

A família tinha conhecimento da decisão das elites para matar Jesus; a família também era ciente da popularidade de Jesus que gerava entusiasmo popular inusitado e assustador. Como uma família comum que levava a vida como todas as outras, certamente esta mudança repentina no comportamento de Jesus e as reações resultantes, naturalmente deixaram seus parentes apreensivos! Tentaram fazer o que achavam convenientes, aparentemente, sem os resultados desejados!

4. A nova família de Jesus

Um pouco mais adiante encontramos no Evangelho de Marcos o texto que fala da nova família de Jesus (Mc 3,31-35; Mt 12,46-50; Lc 8,19-21). Foram a mãe e os irmãos de Jesus para ter com ele. Como não conseguissem chegar perto dele por causa da multidão, mandou recado dizendo que sua mãe e os irmãos estavam a sua procura. A reação de Jesus não é nada do que acontece normalmente nestes casos. Ele fez uma pergunta retórica sobre quem seriam seus irmãos e sua mãe. Então ele olhou para os muitos que estavam sentados ao seu redor e declarou “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3,34-35). É uma radical novidade; o parentesco no Reino de Deus tem critérios diferentes do que a tradicional consanguinidade. Comunidades dos seguidores de Jesus vivem essa “família nova”; tenho a certeza de que muitos dos nossos leitores têm experiência desta vivência na nova família do Reino.

5. A dificuldade de entender Jesus

Ainda há necessidade de referir ao que os evangelhos nos contam sobre a família de Jesus. Já na sua concepção, Jesus foi a causa de uma decisão ponderada para seus pais. José, seu pai, precisou de ajuda divina para conformar-se com a gravidez da Maria (cfr. Mt 1,18-25). Maria, sua mãe, ficou confusa, precisou de esclarecimentos vindo de Deus, antes de consentir à gravidez de Jesus (cf. Lc 1, 29-38). Na visita dos pastores a recém-nascido, Maria guardava os acontecimentos da ocasião no seu coração, meditando, pois o significado não era claro para ela (Lc 2,19). De novo, a peregrinação da família de Jesus a Jerusalém quando o menino Jesus tinha doze anos foi outro momento em que a família não deu conta de compreender os acontecimentos (cf. Lc 2,50). Por fim, no Evangelho de João, na ocasião da festa das Tendas, fala dos irmãos de Jesus que queriam que ele fosse a Jerusalém para divulgar seu trabalho para que tenha sucesso (cf. Jo 7,-13). 
segunda-feira, 17 de setembro de 2018 0 comentários

Como matar Jesus?


Jesus a Boa Nova para o século 21 (19)
Como matar Jesus?

1. Com o trecho que reporta a cura da mão paralisada (cf. Mc 3,1-7a) encerra-se um primeiro bloco no texto de Evangelho de Marcos (cf. Mc 1,21-3,7a). Este bloco exemplifica a práxis de Jesus de Nazaré, quer dizer, suas atividades em benefício dos mais sofridos, fragilizados e excluídos assim como sua maneira de interpretar as leis e tradições para a mesma finalidade, que deixavam as elites dos seus dias mortalmente angustiados e por isso mesmo decidiram mata-lo (Mc 3,6).

Vamos fazer uma breve descrição do episódio que levou os poderosos tomar essa decisão sobre o Jesus de Nazaré. Outra vez, Jesus está na sinagoga num dia de sábado. Havia aí um homem com a mão paralisada. O autor nos informa que os representantes das elites estavam presentes, de olho para ver se Jesus curava o homem num dia de sábado para poderem acusa-lo de infringir a lei o sábado. Ciente da armadilha montada, o rabino Jesus pediu o homem para se posicionar no meio, onde todo mundo podia ver-lhe, assim pondo em evidência necessidades humanas que as autoridades devem atender com urgência.

Uma vez que o problema foi realçado, o rabino Jesus fez uma pergunta crucial que tinha a ver com a observância tradicional do sábado. Seria permitido fazer o bem ou o mal no dia de sábado; aplicar as leis em prol de salvar uma vida ou para tira-la? Porém nada responderam os presentes, essa desumanidade manifesta deixou o Nazareno irado. Ele lançou “um olhar de indignação” sobre eles, ele ficou triste por causa da dureza do coração deles, contudo curou o homem da mão paralisada. Logo que saíram daí, os fariseus procuraram os herodianos e iniciaram uma consulta para arrumar meios de matar Jesus. Por sua parte, Jesus retirou-se do local para a beira do mar.

É conveniente recordar aqui que noutro episódio, no início deste bloco, o da cura do leproso (cf. Mc 1,40-45) o evangelista reportava que Jesus ficou “irado” antes de estender sua mão, tocar no leproso para curá-lo. Pelo que ele fez, Jesus desafia radicalmente os sistemas políticos, econômicos, sociais e religiosos que procuram manter o povo excluído, fragilizado e dominado para se manter no poder.

2. O texto de Mateus que nos conta deste episódio (Mt 12,9-15a) tem o mesmo esquema. A diferença é que são aqueles que tramaram contra Jesus que fazem a pergunta sobre o cabimento de curar no dia de sábado. Na sua resposta o rabino mostra que as leis, inclusive as da observância de sábado, devem estar a serviço da vida humana. Para reforçar seu esclarecimento, ele citou a prática comum de salvar os animais, que porventura caiam nos buracos, mesmo no dia de sábado. Em seguida curou o homem da mão paralisada, o que levou seus adversários fariseus furiosos, que viram seu domínio ameaçado, se reunir para planejar um modo de matar Jesus. Sabendo disso Jesus se afastou daquele lugar.

3. O texto de Lucas (Lc 6,6-11) faz menção, especificamente, da presença dos fariseus e dos doutores da Lei que observavam Jesus para ver se ele curava no dia de sábado para ter motivo para acusa-lo. Aqui é Jesus, percebendo a armação, que faz a pergunta sobre a conveniência da cura num dia de sábado; salvar a vida ou destruí-la para assegurar a observância impecável da lei. Não recebendo uma resposta Jesus lança um olhar sobre todos, quer dizer, tirando suas próprias conclusões, cura a mão paralisada. Os adversários se encheram de raiva, sentindo se despistados, discutiam entre si sobre o que fariam contra Jesus.

4. No episódio de hoje, vimos que a decisão para eliminar o rabino de Nazaré que ameaçava o sistema foi tomada. O que vem em seguida é a história de como esta decisão foi executada. Ao curar o homem da mão paralisada, Jesus evidencia mais uma vez sua opção pelos necessitados diante dos esquemas mentais e sociais que dominavam a religião e as demais instituições e lucravam das carências dos fragilizados.

É difícil não notar a presença desta mentalidade nas religiões e outras instituições hoje, especialmente na era pós-golpe no Brasil; a aliança entre os interesses econômicos nefastos, um judiciário parcial que opera atrás de uma fachada hipócrita de combater a corrupção, com a imprensa tradicional e o legislativo, apadrinhando um executivo que substituiu o governo legítimo, claro “na forma da lei”. Essa aliança decretou a anulação da ideologia partidária que procurava transformar o sistema escravagista, montado desde o tempo de colonização, para libertar os as vítimas deste e a eliminação de suas lideranças!

Vivemos os momentos no processo de anulação desta ideologia e a eliminação das suas lideranças.

sábado, 8 de setembro de 2018 0 comentários

Ser humano acima da lei: as espigas arrancadas no dia de sábado


Ser humano acima da lei: as espigas arrancadas no dia de sábado

Jesus de Nazaré estava sendo vigiado rigorosamente pelas autoridades, pois como vimos anteriormente, suas práticas e interpretações das leis e costumes, estavam ameaçando os fundamentos do próprio sistema que “os cidadãos do bem” protegiam com zelo extremo. No episódio em que ele opinou sobre a tradicional prática de jejum (cf. Mc 2,18-22) o rabino Jesus realçou a radical novidade das mudanças que ele introduzia na realidade humana com duas metáforas. A primeira falava de remendo novo na roupa velha que só pioraria o rasgo, e a segunda referia ao vinho novo no casco velho o que fazia com que a gente perdesse ambos, quer dizer, o vinho e casco.

1. No episódio que nós vamos examinar hoje, trata-se de espigas arrancadas no dia de sábado (cf. Mc 2,23-28). Aconteceu o seguinte: num sábado Jesus e seus discípulos passavam por uma plantação. Os discípulos começaram abrir o caminho arrancando as espigas. Mas, os guardiões de bons costumes prontamente criticaram o que os discípulos de rabino Jesus estavam fazendo; arrancar espigas não era permitido neste dia; era uma das trinta e nove as atividades proibidas pela lei no dia de sábado.

Para rebater essa critica Jesus recorre a Sagrada Escritura e retoma a interpretação original do sentido de sábado. Contudo, na origem da observância da lei do sábado estava a preocupação de assegurar o bem-estar de todo ser humano (cf. Dt 5,12-15), quer dizer, a lei procurava evitar que se imite no Israel a escravidão do Egito. Lá no Egito os israelitas foram escravos e trabalharam o tempo todo sem nenhuma provisão para descanso ou qualquer outra providência de bem-estar! Jesus também chama atenção dos seus críticos ao que Davi, o rei ideal, fez durante sua fuga diante da ira do rei Saul: comer os pães reservados só para os sacerdotes diante de impossibilidade de obter os pães comuns para si e seus companheiros (cf. 1Sm 21,1-7). 

De tudo isso o Nazareno evidencia que o sábado foi feito para melhorar as condições da vida do ser humano e por isso mesmo ele não pode ser sacrificado para garantir a meticulosa observância da lei. Mais importante ainda, “o filho do homem” (um título usado aqui no sentido de linguagem popular que significa “a gente”) tem poder sobre o sábado. Isto significa que todos nós somos responsáveis pela interpretação e aplicação das leis em cada situação, levando em conta todos os seus elementos constitutivos, mas lembrando-se de que o bem do ser humano é o que tem prioridade.

2. O paralelo deste texto no Evangelho de Mateus (Mt 12,1-8) tem alguns detalhes modificadas: os discípulos que estavam com fome começaram a arrancar espigas e comê-las. No ponto de vista dos fariseus os discípulos de Jesus cometeriam duas infrações da lei, pois: (1) eles se apossaram do que não era seu (arrancar as espigas que não pertenciam a eles); e (2) de debulhá-las antes de comer, o que era proibido pela lei no dia de sábado!

Aqui também Jesus do que Davi e seus companheiros fizeram diante de fome durante sua fuga da ira do rei Saul. Mais ainda, o Nazareno refere à prática no Templo, no seu tempo, dos sacerdotes que realizavam suas funções com atividades proibidas pela lei do sábado, mas sem sofrer as sanções da lei por isso. Igualmente, Jesus desafia os guardiões dos bons costumes para entender o significado de: “Quero misericórdia e não sacrifício” e pediu para não condenar inocentes e necessitados. Isto, sem deixar de afirmar: “Porque o Filho do Homem é senhor do sábado”.

3. No Evangelho de Lucas o episódio é narrado em poucas palavras (cf. Lc 6,1-5). Mas, os detalhes necessários estão aí: passagem pelo campo; os discípulos arrancarem as espigas e debulhá-las antes comer; a reclamação dos fariseus e a reposta de Jesus recorrendo às escrituras para fundamentar sua atualizada interpretação da lei que visa o bem do ser humano sofrido. A responsabilidade do Filho do Homem (todo ser humano) realizar tal interpretação e aplicação da lei nas múltiplas situações que necessitam misericórdia, e discernimento para encontrar soluções.

4. O que Jesus fez gerou forte contestação, uma vez que sua interpretação da lei ameaçava as bases da ordem social que privilegiava as elites. Aqui no Brasil, vivemos um momento de contestação feroz das medidas que visavam igualitarismo que o governo legítimo, que foi substituído no ano 2016, vinha realizando. No período preparativo deste equívoco histórico criminoso e ainda no período pós-golpe, a sociedade brasileira vive um surto singular de hipocrisia. O intrigante é que uma boa parte da população ainda está em sintonia com a interpretação que Jesus fez da lei do sábado: as leis servem para promover o bem-estar de todos os cidadãos… mesmo diante do comportamento tendencioso do judiciário, legislativo, executivo e também da imprensa tradicional que favorecem só as elites, e procuram criminalizar a camada mais necessitada da população brasileira e suas lideranças, atrás de uma fachada hipócrita de combater a corrupção...

segunda-feira, 3 de setembro de 2018 0 comentários

Os cidadãos de bem e Jesus que provoca ruptura


Jesus de Nazaré, a Boa Notícia para o século 21 (17)


Nós analisamos o texto de Marcos (Mc 2,13-17) que fala da presença de Jesus e seus discípulos num banquete na companhia de “pecadores”. Vimos que rabino Jesus foi criticado duramente pelas sentinelas de bons costumes por ele não se manter no “lado certo”. Na sequência vem o texto em que Jesus de Nazaré avalia a prática de jejum para mostrar a radical novidade do Reino que ele instaura o que provocou ruptura no tecido de bons costumes da época. Jejuar era uma prática muito valorizada entre pelos fariseus e os discípulos de João Batista (cf. Mc 2.18-22).

Mas primeiro como já mostramos, na primeira parte do Evangelho de Marcos, é possível identificar um bloco de narrativos das praticas de Jesus e as reações que essas despertaram nas autoridades (Mc 1,40-3,6). O bloco encerra-se relatando a sua decisão para matar Jesus. O texto que nós vamos examinar agora pertence a este bloco. Só para precisar a nossa leitura e evidenciar que Jesus provoca ruptura, é conveniente recordar sucintamente os episódios narrados anteriormente.  

Na cura de leproso (cf. Mc 1,40-45) Jesus “irado” estendeu a mão e tocou no leproso, assim se fazendo “impuro” e excluído como os leprosos, vistos como impuros e excluídos da convivência humana normal naquele tempo. Na cura do paralítico, o Nazareno, movido pela fé dos que o carregavam, perdoou os pecados do paralítico primeiro, para desconstruir o tabu em voga que considerava doenças como castigo de Deus pelos pecados e proclamar a misericórdia de Deus ao curá-lo (cf. Mc 2,1-12). A reação dos “cidadãos de bem” foi acusar rabino Jesus de blasfêmia. Mais adiante, ao chamar, o cobrador de impostos para segui-lo e ao sentar-se a mesa com ele, Jesus aborreceu a elite intolerante que se mantinha “santa e pura” separando-se dos “impuros e pecadores”! (cf. Mc 2,13-17).

A colocação do texto sobre o jejum (Mc 2,1822) demonstra a coerência das narrativas na sua totalidade. Nem Jesus, nem seus discípulos se mostraram entusiasmados com a prática de jejum. Nisso, não somente os fariseus, mas também os discípulos de João Batista, preocupados com a manutenção dos bons costumes, interpelaram Jesus.

 A resposta de Jesus, é que jejuar é um sinal de tempo de preparação; mas agora, esse tempo já acabou. O que ele faz acontecer com o anúncio e instauração do Reino de Deus com as curas e as interpretações como também as modificações das leis e costumes é algo radicalmente novo na história. É motivo suficiente para festejar.

Entretanto, esses tempos messiânicos não serão permanentes, pois virá o tempo em que o noivo será tirado de entre eles e vão jejuar e lamentar de novo, em toda probabilidade essa colocação refere às perseguições que seus seguidores sofrerão no futuro próximo.

O Nazareno usa duas imagens tiradas da experiência da vida quotidiana para reforçar a inusitada singularidade dos tempos novos que ele inaugura. Não é uma boa ideia remendar roupas velhas rasgadas remendos novos, pois o remendo novo vai fazer o rasgo maior ainda. A segunda imagem usada pelo rabino de Nazaré é de vinho novo que precisa ser guardado em barris novos, se não corre o perigo de perder o vinho e o casco.

O que se pode concluir desta alocução de Jesus é que o amor de Deus vem para salvar o homem concreto, na sua situação de vida e não para manter as estruturas que sugam os seres humanos. Sua originalidade rompe estas estruturas simbolizadas pela roupa e barril velhos. Jesus não veio reformar; ele exige mudança decisiva drástica. E o cristão, como discípulo missionário cidadão consegue, na sua atuação, não provocar ruptura? Ao provocar ruptura ele vai ser perseguido pelos “cidadãos de bem”...

 
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