A Boa Notícia é para todos
De acordo com a narrativa de
Marcos, Jesus foi para casa de Pedro com Tiago e João, depois de curar o
possuído na sinagoga de Cafarnaum (cf. Mc 1,29-34). A sogra de Pedro estava de cama
com febre. Contaram a Jesus sobre ela. Jesus aproximou-se dela, tomou-a pela
mão e a fez levantar-se. A febre a deixou; restaurada a sua saúde, a sogra de
Pedro se pôs a servi-los.
Até o final de tarde aglomerou-se
muita gente com doentes e possessos na porta da casa de Pedro; Jesus curou
muitos de várias doenças e expulsou muitos demônios. É importante notar que ele
não permitiu os demônios gerarem aquele tumulto que queriam fazer sobre a
identidade divina de Jesus, ainda desconhecida pelo público.
As curas e os exorcismos que Jesus
de Nazaré realiza têm enorme significado na práxis de Jesus, pois sua atuação messiânica
visa proporcionar vida livre e abundante para todos. Não se trata apenas de
resgatar a saúde, mas restabelecer o bem-estar por inteiro e de criar homens e
mulheres novos. “Os demônios”, que sabem quem Jesus é, se sentem ameaçados
pelas suas ações libertadoras.
No paralelo deste texto em Mateus (cf.
Mt 8,14-17), os detalhes dos acontecimentos são muito parecidos com os de
Marcos, com uma diferença: a iniciativa de curar a sogra de Pedro é de Jesus.
Ninguém intercede em seu favor. Além disso, o autor interpreta a práxis de
Jesus à luz do Profeta Isaías (cf. Is 53,4). Com efeito, os autores do
comentário da Bíblia de Jerusalém sobre esta citação, opinam que a
interpretação é forçada. Entretanto fica claro que a comunidade primitiva
empenhou-se de maneira extraordinária para encontrar o sentido do escândalo da
cruz. Afinal Jesus de Nazaré tinha inspirado tantas expectativas! Com essa
citação adaptada do texto de Isaías Jesus é apresentado como Servo de Javé, que
liberta os homens de tudo aquilo que os aliena e oprime.
O Evangelho de Lucas reporta o
episódio (cf. Lc 4,38-41) seguindo a sequência encontrada em Marcos, quer dizer,
logo depois da cura do possesso na sinagoga de Cafarnaum, Jesus vai para casa
de Pedro. Suplicaram a Jesus pela cura da sogra de Pedro que estava com febre
alta. Há alguns verbos a mais aqui, do que nos textos de Marcos ou Mateus, para
nos falar da atenção que Jesus dispensava às pessoas que lhe procuravam. O
Nazareno inclinou sobre a doente, repreendeu a febre e a febre deixou a doente.
Mais adiante, quando se fala dos muitos doentes que foram trazidos a Jesus no
mesmo dia, o autor registra que rabino Jesus colocava as mãos sobre cada um
deles e os curava.
Contudo, é possível afirmar que Mc
1,29-34 é como um primeiro resumo das atividades de Jesus de Nazaré na região
da Galileia. Ao mesmo tempo é necessário incluir nesse resumo o próximo
parágrafo, isto é, vv. 35-39 que trata de deixar claros alguns pontos importantes
referentes à práxis de Jesus. O primeiro deles é que Jesus se afasta do cenário
das suas atividades para estar em comunhão com O Pai em oração. O segundo é que
Simão e seus companheiros têm propostas e planos próprios quanto a aproveitar
os resultados das atividades de Jesus. Eles foram à procura de Jesus e ao
encontra-lo relataram a ele que está todo mundo querendo encontra-lo.
A reação de Jesus a este comunicado
aponta para até uma insinuação de que o Nazareno deveria aproveitar da
popularidade, entretanto sua resposta é que o foco da sua missão é anunciar
essa mesma boa notícia aos que ainda não a ouviram; sem ser desviado ele partiu
dali pregando nas sinagogas por toda Galileia e expulsando os demônios.
Enquanto isso, em Lucas (Lc
4,42-44) é a multidão que sai a procura de Jesus e tenta segurá-lo, sem dúvida
alguma, para seu próprio benefício. De novo, sua resposta não é diferente
daquela que Pedro e seus companheiros receberam nem seu agir em seguida.

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