sexta-feira, 27 de julho de 2018

A novidade do Reino de Deus e as reações geradas



A novidade do Reino de Deus e as reações geradas

O Evangelho de Marcos nos apresenta uma série de episódios, começando com o milagre da cura na sinagoga de Cafarnaum (cf. Mc 1,21-28) e vai até a fala de Jesus sobre a sua nova família (cf. Mc 3,31-35) que nós vamos tratar como um bloco. Este bloco nos dá uma visão global das mudanças que o Reino de Deus que Jesus anunciava provoca na sociedade, assim como a reação que tais mudanças causavam.

A cura na sinagoga de Cafarnaum foi uma ação poderosa que enfrenta o poder do mal (Mc 1,21-28). Da sinagoga Jesus vai para a casa de Pedro onde ele cura sua sogra e outros enfermos. Os demônios reconhecem a identidade de Jesus, mas o Nazareno não permite que essa seja divulgada pelos espíritos impuros (cf. Mc 1,29-34).

Noutro dia, Jesus se afasta para um lugar deserto pela madrugada e aí rezava. Pedro e seus companheiros saíram a procura de Jesus, pois eram ansiosos para aproveitar da popularidade de Jesus ao resgatar a saúde de tantos. No entanto, contrariando lhes Jesus mostrou a necessidade de anunciar o Reino nos outros lugares também e partiu dali, pregando nas sinagogas por toda a Galileia (cf. Mc 1,35-39).

Em seguida, temos a cura do leproso (Mc 1,35-39). O leproso implorou a cura e, Jesus “irado” tocou nele para efetuar a cura. Ao tocar no leproso, o próprio Jesus se tornou impuro ritualmente, um excluído. A “ira” de Jesus é algo que encontramos só neste texto de Marcos, e ela aponta para o  desafio que Jesus lança ao sistema político e religioso que exclui uma porção de gente para se justificar.

O próximo episódio fala da cura do paralítico em Cafarnaum num dia de sábado (cf. Mc 2,1-12). Movido pela fé extraordinária dos envolvidos, Jesus, primeiro, perdoa os pecados do paralítico, assim desfazendo a teologia da retribuição em voga. Isto escandalizou os doutores da lei, presentes no local. Jesus começou a ser considerado um blasfemador, visto que só Deus podia perdoar pecados. Para mostrar que todos nós somos autorizados a anunciar o perdão de Deus, Jesus mandou o paralítico de volta para sua casa carregando sua maca. O acontecido causou admiração nos presentes e eles glorificavam a Deus por ter visto algo inusitado.

Os coletores de impostos eram pessoas excluídas pelos Judeus, porém Jesus chamou um deles, Levi, filho de Alfeu, para ser seu seguidor (cf. c 2,13-17). Rabino Jesus participou numa refeição com os “pecadores”, o que levantou questionamento da moral de Jesus da parte dos doutores da lei do partido dos fariseus. Serviu como ocasião para Jesus rejeitar os esquemas que descriminam pessoas, tanto do ponto de vista social como religioso.

A prática de jejum é de tempo de espera dos tempos messiânicos; agora, é tempo de festa, pois o noivo já está presente. (Mc 2, 18-22). À contestação dos discípulos de João Batista e os fariseus Jesus usa as metáforas do pano novo, e do vinho novo afirmando a radical novidade que a presença do Reino faz na vida humana.

Os vigilantes de bons costumes, os fariseus, criticaram os discípulos de Jesus por violar o dia de sábado (Mc 2,23-28). Rabino Jesus aproveitou o momento para estabelecer uma perspectiva equilibrada quanto às leis, a serviço da vida humana, recorrendo a Sagrada Escritura.

 A cura de uma mão paralisada no dia de sábado, que Jesus realiza depois de “lançar um olhar de indignação” sobre os que tinham preparado uma armadilha (cf. Mc 3,1-6a), provocou a decisão final da parte das autoridades para mata-lo. Jesus sai com seus discípulos à procura de refúgio!
Mas, a multidão dos necessitados, oriundos de toda a Palestina, foi em busca de Jesus. E Jesus fez o necessário para atender bem a todos. Ele constituiu um grupo (de doze), como agentes multiplicadores, para uma formação mais intensa, ter autoridade para pregar e expulsar os demônios. Só é que ele não permitia os demônios fazerem uma divulgação prejudicial a sua causa (Mc 3, 7b-19).

Neste momento Marcos nos dá notícias sobre as dificuldades que Jesus teve com sua família (Mc 3,2-21). Foi neste momento também que os poderosos montaram uma campanha contra Jesus, dizendo que ele estaria expulsando demônios por estar em conluio com o chefe dos demônios. Diante disso Jesus faz uma reflexão sobre a fraqueza que a divisão causa e o pecado contra o Espírito Santo que não tem perdão (Mc 3,22-30). Mais uma vez a família procura Jesus, e o momento Jesus anuncia a nova família no Reino de Deus. Essa é baseada na abertura da pessoa para fazer a vontade de Deus.

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