O Filho de Deus entre os homens, o início
O autor do Evangelho de Marcos usa a frase concisa: “Princípio do
evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1) para iniciar sua
narrativa da trajetória de Jesus de Nazaré. Este Jesus é a boa
notícia que vem de Deus, diferente daquela que vem do imperador
romano. Os três pontinhos no final do Mc 16,8 (considerado a
conclusão original do texto) assinalam, para muitos comentaristas, à
continuação desta mesma trajetória de Jesus na história desde
então. Há um consenso entre os estudiosos que o capítulo 16,9-20 é
um acréscimo posterior.
O Evangelho de Marcos (Mc) nos conta a história de Jesus, o
Nazareno, que apareceu com uma mensagem relevante a situação
calamitosa na história nas terras palestinas no início da E.C. Dado
a ineficácia das lideranças tradicionais judaicas para endireitar o
que precisava, a expectativa popular era que Deus ia agir diretamente
através de uma figura chamada o Messias/ Cristos (de “Massiha”
em hebraico e de “Christos” em grego), o ungido de Deus.
Entretanto havia uma diversidade no imaginário quanto à essa figura
e sua atuação como veremos mais adiante.
Que Jesus é o Filho de Deus, nem seus associados mais próximos não
aceitaram facilmente. Embora tivessem pressentimentos de que o
Nazareno era muito mais do que um rabino e realizava obras
milagrosas, como fizeram mutos outros naquele tempo, tiveram que
aguardar a ressurreição para chegar a essa conclusão. De fato, o
Nazareno foi condenado réu da morte pelo Sinédrio (O Conselho
supremo dos anciãos judeus) por ele igualar-se a Deus, o crime de
blasfêmia que era punida com a pena da morte. Enquanto isso o
império romano executou-o na cruz sob a acusação de ser o Rei dos
Judeus, crime contra o César que acarretava a pena da morte. Naquele
tempo, quando já preparava-se o ambiente para instaurar o culto do
imperador como a divindade, era o imperador o filho de Deus e nenhum
outro. Mesmo assim, temos uma afirmação paradoxal no final do
Evangelho de Marcos. O centurião romano que comandava o destacamento
encarregado da crucificação de Jesus, vendo-o expirar na cruz,
confessou: “Realmente este homem era Filho de Deus” Mc 15,39)!
Os outros evangelhos têm muito mais detalhes do que o de Marcos ao
introduzir o Filho de Deus. O autor de Mc no exercício da sua
característica própria de ser sucinto nos apresentou Jesus em
apenas num versículo. Agora passamos para examinar os “evangelhos
de infância” que Mateus, Lucas e João têm nos escritos.

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