sexta-feira, 15 de junho de 2018

Jesus, a Boa Notícia para o século 21 (3)



O Filho de Deus entre os homens, o início
O autor do Evangelho de Marcos usa a frase concisa: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1) para iniciar sua narrativa da trajetória de Jesus de Nazaré. Este Jesus é a boa notícia que vem de Deus, diferente daquela que vem do imperador romano. Os três pontinhos no final do Mc 16,8 (considerado a conclusão original do texto) assinalam, para muitos comentaristas, à continuação desta mesma trajetória de Jesus na história desde então. Há um consenso entre os estudiosos que o capítulo 16,9-20 é um acréscimo posterior.
O Evangelho de Marcos (Mc) nos conta a história de Jesus, o Nazareno, que apareceu com uma mensagem relevante a situação calamitosa na história nas terras palestinas no início da E.C. Dado a ineficácia das lideranças tradicionais judaicas para endireitar o que precisava, a expectativa popular era que Deus ia agir diretamente através de uma figura chamada o Messias/ Cristos (de “Massiha” em hebraico e de “Christos” em grego), o ungido de Deus. Entretanto havia uma diversidade no imaginário quanto à essa figura e sua atuação como veremos mais adiante.
Que Jesus é o Filho de Deus, nem seus associados mais próximos não aceitaram facilmente. Embora tivessem pressentimentos de que o Nazareno era muito mais do que um rabino e realizava obras milagrosas, como fizeram mutos outros naquele tempo, tiveram que aguardar a ressurreição para chegar a essa conclusão. De fato, o Nazareno foi condenado réu da morte pelo Sinédrio (O Conselho supremo dos anciãos judeus) por ele igualar-se a Deus, o crime de blasfêmia que era punida com a pena da morte. Enquanto isso o império romano executou-o na cruz sob a acusação de ser o Rei dos Judeus, crime contra o César que acarretava a pena da morte. Naquele tempo, quando já preparava-se o ambiente para instaurar o culto do imperador como a divindade, era o imperador o filho de Deus e nenhum outro. Mesmo assim, temos uma afirmação paradoxal no final do Evangelho de Marcos. O centurião romano que comandava o destacamento encarregado da crucificação de Jesus, vendo-o expirar na cruz, confessou: “Realmente este homem era Filho de Deus” Mc 15,39)!
Os outros evangelhos têm muito mais detalhes do que o de Marcos ao introduzir o Filho de Deus. O autor de Mc no exercício da sua característica própria de ser sucinto nos apresentou Jesus em apenas num versículo. Agora passamos para examinar os “evangelhos de infância” que Mateus, Lucas e João têm nos escritos.

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