domingo, 4 de março de 2018

Neoliberalismo, totalitarismo hipermoderno..


Neoliberalismo, totalitarismo hipermoderno...


Nas últimas décadas, diante dos avanços da Esquerda, mesmo depois da queda do Muro de Berlim, a Direita investiu pesadamente, nos ambientes acadêmicos, para hegemonizar a ideologia neoliberal com sucesso considerável. Ainda assim há críticos pensadores que consideram neoliberalismo um perigo para a humanidade, assim como constatamos no exame sucinto das características do capitalismo e seu novo avatar, o neoliberalismo. Nós vamos expor aqui muito resumidamente uma dessas avaliações críticas, com intuito de contribuir ao diálogo democrático que procura superar o novo totalitarismo vindouro.

A exposição é feita em três partes: (1) o neoliberalismo; (2) estado capitalista; e por fim, (3) o capitalismo ou a democracia? Para começar: o liberalismo é o fundamento teórico do capitalismo atual, isto é, neoliberalismo. Não são poucos que opinam que erguer um sistema de mercado (supostamente) autorregulado aniquila a substância humana e natural e da sociedade. Isto, diante do individualismo exacerbado que capitalismo prega.

(1) O liberalismo acompanha o capitalismo em todas as suas etapas. É verdade que o “Keynesianismo” foi defensor de um papel mais ativo do Estado na economia e priorizar áreas sociais como escolas, estradas, e hospitais. No entanto, neoliberais da Escola de Chicago e a da Áustria rejeitaram tal doutrina baseando-se nas antigas ideias de “laissez faire”, afirmando que há apenas indivíduos e não uma sociedade, além de eles negarem o conceito de interesse público.
Desde os anos de 1970 vem acontecendo a transição de Estado de bem-estar social para um o Estado capitalista a mando do capitalismo financeirizado, o sistema controlado por rentistas, especuladores, banqueiros e instituições financeiras.

Um dos teóricos desta nova fase, Ludwig Heinrich Edler von Mises (1881-1973) afirma que só no mercado “não controlado” o ser humano pode encontrar sua liberdade na competição ilimitada. Sua versão do neoliberalismo rejeita a ideia de justiça social e afirma que não há lugar para políticas de redistribuição de riqueza. Os princípios morais do cristianismo seriam desastrosas para o mercado.
Friedrich August von Hayek (1899-1992), outro teórico, vai bem mais adiante e opina que políticas sociais fundadas na justiça social são incompatíveis com o “Estado de Direito”. Reivindicações igualitárias representam a inveja dos fracassados quanto ao sucesso de algumas pessoas, um sinal de imaturidade intelectual, assumida como doutrina social da Igreja Católica e uma fórmula que carece qualquer significado.

(2) À luz dessas doutrinas, qual é a natureza do Estado Capitalista? De acordo com Robert Nozick (1938-2002) o estado mínimo, limitando suas funções a de proteção contra força, o roubo, a fraude, de fiscalização do cumprimento dos contratos, é o ideal. Um estado justo é aquele que não interfere nos direitos fundamentais de liberdade, vida e propriedade.

Foi Milton Friedman (1912-2006) quem ajudou a convencer governos e políticos a implantar “a agenda neoliberal” de deregulamentar economias, abrir mercados nacionais para o capital, da austeridade fiscal e das privatizações.

O Estado, uma instituição imprescindível, tem o papel de se ajustar à economia para consolidar o capitalismo em seus territórios. O cenário ideal é: todos os lucros e nenhuma responsabilidade. O capitalismo controla o governo para garantir sua sobrevivência e hegemonia. O neoliberalismo, por sua vez, desloca o foco do poder da política para a economia de maneira radical. A redução da política à força do dinheiro torna os governos imunes a participação da sociedade civil. O mercado define as regras do jogo e sua única ideologia é a acumulação ilimitada da riqueza.

(3) Diante de tudo isso nós somos desafiados a fazer uma escolha: o capitalismo ou a democracia? Neoliberalismo é o termo que nomeia perfeitamente a etapa atual do capitalismo. Para os neoliberais a sociedade é apenas um grande mercado, composto de indivíduos identificados como consumidores que calculam lucros e prejuízos em tudo o que fazem. Isto permeia todos os aspectos da sociedade e vida privada. A concorrência é o modo da organização social.

O mercado é o sujeito político que governa o mundo. Todos os mecanismos do poder político (eleições, partidos, congresso, poder executivo etc.) devem ser submetidos ao calculo econômico. Anseios populares são abaixo dos mecanismos automáticos do mercado. O único propósito da sociedade é a manutenção do próprio mercado.

Tal sistema produz sujeitos neoliberais que pautam suas relações sociais segundo a lógica do custo-benefício. Este “neo-sujeito” tem sua vulnerabilidade exposta de tal forma que, em sua luta solitária pela sobrevivência, o colapso do seu “eu” pode ocorrer a qualquer momento: resultam depressão, stress, esgotamento, angústia e suicídio.

A democracia participativa é incompatível com o capitalismo. Os ricos têm acesso privilegiado ao poder. As dimensões da vida humana, consideradas mercadoria, estão fora do alcance das decisões baseadas em outros critérios a não ser o lucro. Em fim, democratizar é desmercantilizar a sociedade, o que levaria ao fim o capitalismo!



Nenhum comentário:

Postar um comentário

 
;