domingo, 18 de março de 2018

Cinco anos de Francisco, o primeiro Papa Americano


Cinco anos de Francisco, o primeiro Papa Americano

No dia 19 de março de 2018 Papa Francisco completa cinco anos como 266º Bispo de Roma. Quando Jorge Mario Bergoglio de 76 anos foi eleito Papa em 2013 retomou-se na Igreja Católica o diálogo com a modernidade (europeia) que havia começado no Concílio Vaticano 2. É um momento apropriado ver nele um daqueles que apontam para uma saída do impasse que a era de pós-verdade que o totalitarismo neoliberal vem impondo.

Jorge Mário Bergoglio, o primeiro Papa Americano, nasceu em Buenos Aires, Argentina, no dia 17 de dezembro de 1936 como o primeiro dos cinco filhos do casal Mário Guiseppe Bergoglio Vasallo e Regina Maria Sivori Gogna, imigrantes piemonteses (italianos). Ele entrou na Companhia de Jesus e foi ordenado presbítero após completar seus estudos em 1958. Em 1986 Pe. Jorge Mário Bergoglio viajou para Alemanha para seu doutoramento em Teologia. Em 1992 ele foi nomeado Bispo Auxiliar de Buenos Aires e em 1998 tornou-se o Arcebispo da mesma Arquidiocese. Papa João Paulo II lhe fez Cardeal no ano 2001.

Papa Francisco, desde o começo, gerou um ânimo de tipo que o Papa Bom, João 23, tinha despertado mais de meio século antes na Igreja Católica, com seu estilo de vida simples e o jeito de ser pastor. Uma das primeiras coisas ele fez foi decidir pôr em prática a colegialidade episcopal, um dos temas principais do Concílio Vaticano 2. Na prática isto foi feito pela convocação do Sínodo sobre os desafios que a família enfrenta no mundo contemporâneo. Houve um esforço extraordinário para envolver todos os batizados do mundo inteiro na preparação e realização do evento. A Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris Letitia” retrata a complexa realidade que a família humana vive hoje assim como transpareceu nas consultas e nos debates sinodais.

É necessário nos limitar apenas a breves comentários sobre as duas Cartas Encíclicas e as duas Exortações Apostólicas do Papa Francisco e suas viagens apostólicas para mostrar que o Ministério Petrino do Argentino contém dicas valiosas para superar a pós-modernidade (ou modernidade tardia). Os documentos na ordem cronológica são: “Lumen Fidei” (2013); “Evangelii Gaudim” (2013); “Laudato si” (2015); e “Amoris Letitia” (2016). O Papa também tem feito 22 viagens apostólicas que destacaram sua capacidade de liderar e ser um símbolo valioso para a humanidade. As coletivas da imprensa na viagem de volta para Roma têm trazido imensa alegria, pela sua abertura, acolhida e prontidão para conversar com os jornalistas sobre “n” número de assuntos e não fazer apenas pronunciamentos sobre tópicos predeterminados. Agir, como ele fez na viagem de volta da visita a Chile, quando ele oficializou o matrimônio de dois comissários abordo – um casamento nos altos – nos surpreende!

“Lumen Fidei” (2013) é, na verdade, uma carta Encíclica de autoria do seu predecessor, Bento 16, mas Francisco publicou-a, dando alguns toques pessoais suas de bom pastor. Isto revela que a caminhada eclesial tem necessariamente um elemento de continuidade. A Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” pode ser considerado “o manifesto” do seu pontificado. Recolhendo toda a riqueza dos trabalhos do Sínodo sobre o tema de evangelização Francisco exorta a Igreja para avançar no caminho de uma conversão pastoral. Os pobres são os destinatários privilegiados do anúncio do Evangelho. O Papa almeja uma transformação da Igreja numa comunidade pobre para os pobres. O sistema econômico atual (neoliberalismo) exclui e gera desigualdades desumanas e mata porque o ser humano não passa de mais um descartável para os neoliberais.

“Laudato si”, a Encíclica sobre o meio ambiente que nos faz perguntar sobre o sentido da existência e os valores fundamentais da organização social diante uma ecologia arrogante e superficial. Seu comportamento evasivo procura manter nossos estilos da vida, de produção e de consumo “a todo custo”, um fator assustador da atualidade. Por sua vez a Exortação Apostólica “Amoris Letitia” é um documento que não tem receitas simples prontas para resolver questões complexas. Para o Pontífice nem todas as questões se resolvem com intervenções autoritárias romanas. Um exemplo é a possibilidade de acesso a comunhão eucarística aos divorciados e recasados que deixou alguns perplexos!

No meio de tudo isso o grande ganho é o espírito de liberdade dos filhos de Deus que está voltando para a comunidade eclesial. O conceito de “infalibilidade”, um mecanismo de defesa da Igreja europeia que se sentia sitiada num momento histórico, está dando lugar ao movimento de Espírito Santo, outra vez. Resumindo, Papa Francisco sinaliza que é a abertura ao que é diferente, a acolhida a todos (pluralismo) e por fim, o diálogo que vão apontar para o caminho da humanidade numa encruzilhada. Não será um exagero se eu dizer que Papa Francisco retrata a voz cristã na polifonia das vozes que é o nosso momento atual!

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