Cinco
anos de Francisco, o primeiro Papa Americano
No dia 19 de março de 2018 Papa Francisco completa cinco anos como
266º Bispo de Roma. Quando Jorge Mario Bergoglio de 76 anos foi
eleito Papa em 2013 retomou-se na Igreja Católica o diálogo com a
modernidade (europeia) que havia começado no Concílio Vaticano 2. É
um momento apropriado ver nele um daqueles que apontam para uma saída
do impasse que a era de pós-verdade que o totalitarismo neoliberal
vem impondo.
Jorge Mário Bergoglio, o primeiro Papa Americano, nasceu em Buenos
Aires, Argentina, no dia 17 de dezembro de 1936 como o primeiro dos
cinco filhos do casal Mário Guiseppe Bergoglio Vasallo e Regina
Maria Sivori Gogna, imigrantes piemonteses (italianos). Ele entrou na
Companhia de Jesus e foi ordenado presbítero após completar seus
estudos em 1958. Em 1986 Pe. Jorge Mário Bergoglio viajou para
Alemanha para seu doutoramento em Teologia. Em 1992 ele foi nomeado
Bispo Auxiliar de Buenos Aires e em 1998 tornou-se o Arcebispo da
mesma Arquidiocese. Papa João Paulo II lhe fez Cardeal no ano 2001.
Papa Francisco, desde o começo, gerou um ânimo de tipo que o Papa
Bom, João 23, tinha despertado mais de meio século antes na Igreja
Católica, com seu estilo de vida simples e o jeito de ser pastor.
Uma das primeiras coisas ele fez foi decidir pôr em prática a
colegialidade episcopal, um dos temas principais do Concílio
Vaticano 2. Na prática isto foi feito pela convocação do Sínodo
sobre os desafios que a família enfrenta no mundo contemporâneo.
Houve um esforço extraordinário para envolver todos os batizados do
mundo inteiro na preparação e realização do evento. A Exortação
Apostólica Pós-Sinodal “Amoris Letitia” retrata a complexa
realidade que a família humana vive hoje assim como transpareceu nas
consultas e nos debates sinodais.
É necessário nos limitar apenas a breves comentários sobre as
duas Cartas Encíclicas e as duas Exortações Apostólicas do Papa
Francisco e suas viagens apostólicas para mostrar que o Ministério
Petrino do Argentino contém dicas valiosas para superar a
pós-modernidade (ou modernidade tardia). Os documentos na ordem
cronológica são: “Lumen Fidei” (2013); “Evangelii Gaudim”
(2013); “Laudato si” (2015); e “Amoris Letitia” (2016). O
Papa também tem feito 22 viagens apostólicas que destacaram sua
capacidade de liderar e ser um símbolo valioso para a humanidade. As
coletivas da imprensa na viagem de volta para Roma têm trazido
imensa alegria, pela sua abertura, acolhida e prontidão para
conversar com os jornalistas sobre “n” número de assuntos e não
fazer apenas pronunciamentos sobre tópicos predeterminados. Agir,
como ele fez na viagem de volta da visita a Chile, quando ele
oficializou o matrimônio de dois comissários abordo – um
casamento nos altos – nos surpreende!
“Lumen Fidei” (2013) é, na verdade, uma carta Encíclica de
autoria do seu predecessor, Bento 16, mas Francisco publicou-a, dando
alguns toques pessoais suas de bom pastor. Isto revela que a
caminhada eclesial tem necessariamente um elemento de continuidade. A
Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” pode ser considerado
“o manifesto” do seu pontificado. Recolhendo toda a riqueza dos
trabalhos do Sínodo sobre o tema de evangelização Francisco exorta
a Igreja para avançar no caminho de uma conversão pastoral. Os
pobres são os destinatários privilegiados do anúncio do Evangelho.
O Papa almeja uma transformação da Igreja numa comunidade pobre
para os pobres. O sistema econômico atual (neoliberalismo) exclui e
gera desigualdades desumanas e mata porque o ser humano não passa de
mais um descartável para os neoliberais.
“Laudato si”, a Encíclica sobre o meio ambiente que nos faz
perguntar sobre o sentido da existência e os valores fundamentais da
organização social diante uma ecologia arrogante e superficial. Seu
comportamento evasivo procura manter nossos estilos da vida, de
produção e de consumo “a todo custo”, um fator assustador da
atualidade. Por sua vez a Exortação Apostólica “Amoris Letitia”
é um documento que não tem receitas simples prontas para resolver
questões complexas. Para o Pontífice nem todas as questões se
resolvem com intervenções autoritárias romanas. Um exemplo é a
possibilidade de acesso a comunhão eucarística aos divorciados e
recasados que deixou alguns perplexos!
No meio de tudo isso o grande ganho é o espírito de liberdade dos
filhos de Deus que está voltando para a comunidade eclesial. O
conceito de “infalibilidade”, um mecanismo de defesa da Igreja
europeia que se sentia sitiada num momento histórico, está dando
lugar ao movimento de Espírito Santo, outra vez. Resumindo, Papa
Francisco sinaliza que é a abertura ao que é diferente, a acolhida
a todos (pluralismo) e por fim, o diálogo que vão apontar para o
caminho da humanidade numa encruzilhada. Não será um exagero se eu
dizer que Papa Francisco retrata a voz cristã na polifonia das vozes
que é o nosso momento atual!

- Follow Us on Twitter!
- "Join Us on Facebook!
- RSS
Contact