quarta-feira, 5 de julho de 2017

A libertação, sabedoria em nossos dias.

A libertação, sabedoria em nossos dias.

Para o mundo, cada vez mais plural e globalizado, em que a grande maioria da população se sente vítima, a eleição do argentino, Mário Jorge Bergoglio (*1936), no dia 13 de março de 2013 para a Sé de Roma como seu 266º Bispo foi um divisor das águas. Das mudanças às quais seus gestos simbólicos nos primeiros momentos de assumir o ministério Petrino assinalavam, a imprensa regalou avidamente a população em toda parte.

Agora, quatro anos depois, as edições recentes das revistas católicas estão empenhadas em perfilar o Papa Francisco, este sábio “do fim do mundo” e sua práxis paradigmática. O Papa não para de nos surpreender. Assim como Francisco de Assis, cujo nome ele escolheu para singularizar sua nova missão, o novo Papa herdou um mundo em que a humanidade e a própria igreja se encontravam em “ruínas”. O consenso que aparece sobre ele até agora é que ele é “alguém que mira o céu com os pés no chão, tendo-os por vezes feridos e enlameados”.

Este redator-chefe documento de CELAM (2007) que “exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária”, age para efetuar a transformação na pastoral que leve a Igreja às periferias da vida humana, pois ele se aborrece com o clericalismo e denuncia a “autorreferência de muito eclesiásticos”. Na verdade, seus gestos, signos e a sua própria linguagem são interpelações para a teologia de hoje!

Papa Francisco evidenciou em diversas maneiras que é Jesus que deve ocupar o centro da igreja e do mundo; a sua escolha do nome de Francisco assinalava todo um programa que visava o amadurecimento da igreja, saída do Vat2 da sua infância, para lutar contra um século vencido pela mundialização da injustiça social. Percebe-se que ele vê seu ministério de Bispo de Roma como tarefa de construir pontes para se aproximar das pessoas e da natureza, mais do que construir muros para proteger os privilégios de uns poucos ou erguer paredes para excluir os muitos necessitados!

Sem demora ele se pronunciou contra a sociedade do consumo, do descarte e da degradação do meio ambiente em que vivemos; sua proposta é a alternativa de acolher as palavras de Jesus como fonte da vida. Ao mesmo tempo ele é sensível das situações em que a fragilidade humana impede a concretização ideal dos princípios evangélicos. Desde cedo ele adotou o caminho da misericórdia e da integração.

O sínodo sobre a família (2014-5) e a Exortação Apostólica pós-sinodal “A Alegria do Amor” constituem um momento pivotante para a teologia, pois nesse, assim como nos documentos anteriores Francisco introduz um paradigma epistemológico novo: conhecer, compreender, curar; não conhecer para dominar, mas conhecer para curar/libertar/salvar. O Papa tem consciência da complexidade que atravessa a nossa realidade; as novidades que a tecnociênca nos proporcionam podem enriquecer ou empobrecer o ser humano. Não há como resolver nossos problemas de maneira simplista e nos preconiza a empregar uma metodologia oriunda da teologia encarnada, missionária, integradora e em movimento.

É crucial sua retomada de modelo da Igreja “povo de Deus” para substituir o modelo piramidal. Para Francisco a Igreja circular, a circularidade trinitária é o paradigma por excelência, pois se alinha com as exigências do mundo e combina melhor com sua missão libertadora: de uns em direção a todos e de todos em relação a cada um, sem esquecer que “o todo é superior à parte”. O modelo proposto aqui não é a esfera (circulo), mas o poliedro, pois este reflete a confluência de todas as partes que nele mantêm sua originalidade.

Eis um sábio que propõe uma alternativa que tenciona restabelecer a sanidade humana e o equilíbrio do habitat humano ameaçado pelas forças totalizantes e a ditadura do relativismo.






Nenhum comentário:

Postar um comentário

 
;