A
política como lugar teológico
Cabe
uma reflexão teológica sobre
a
efervescência social que
o Brasil vive
hoje.
Propomos
uma leitura rápida dos Salmos 105 e 106
(um díptico) que são
uma releitura da história
de Israel, como um modelo dessa.
O Deus da Aliança na sua constância e o ser humano na sua
inconstância, são as chaves que
o salmista usou
na interpretação da história diante
da
desgraça do exílio
babilônico.
Para a leitura dos textos, recomendamos
a “Bíblia do Peregrino” pela riqueza da
sua
exegese,
ou
as edições “Pastoral” por
serem traduções brasileiras.
Efetivamente
as duas usam muitas
técnicas para auxiliar numa
leitura popular e a fácil compreensão dos textos.
O
Salmo 105 começa como um hino que visa celebrar a caminhada
histórica do povo, a quem Deus se revela caminhando junto. A
introdução (1-6) é uma a convocação para dar graças ao Senhor.
O tema central é anunciado logo (7-11): o Deus que governa a
história é o Deus da promessa. Foi um pequeno grupo humano (12-15),
que, guiado pelo profundo instinto de liberdade, não se deixa
escravizar por ninguém
que começou essa caminhada histórica.
Neste impulso de ser livre já está presente o Deus libertador. A
pessoa de José (16-22) simboliza a história de todo povo escravo;
ele se torna o portador da vida nova. O período da vida no Egito é
lembrado,
mencionando os líderes da libertação (23-27). As sete pragas no
Egito (28-38) são vistas
como testemunha do conflito, a luta pela libertação, da qual Israel
sai vitorioso. Com Deus no seu lado o povo se torna invencível! No
entanto, o deserto é o caminho para a libertação (39-41); o
deserto é o lugar onde o povo conseguirá construir uma história e
sociedade novas, desde que se mantenha fiel ao projeto de Deus. Esta
leitura da história procura suscitar fé e esperança nas pessoas.
O
Salmo 106, complementa o anterior, pela lembrança
das falhas humanas
nessa história.
No estilo próprio da linguagem bíblica o autor resume essas
em sete ‘pecados’. Já na introdução (1-6) a geração presente
se solidariza com as passadas; a primeira das falhas foi
(7-12)
o
desejo de povo, perseguido pelos egípcios, querer
voltar para a escravidão (cf. Ex 14). Quando sentiu fome no deserto,
foi atendido, mas o povo quis partir para a acumulação,
desconfiando na Providência (cf. Ex 16). Em seguida é lembrada a
rebeldia de Datã e seu grupo (16-18) contra as lideranças que
conduziam o povo na realização do projeto de Deus (cf. Nm 16). A
idolatria consiste em adorar ídolos e transformar Deus num ídolo, a
fim de o manipular(cf. Ex 32). Acovardar-se ao chegar
a terra prometida é outro lapso do povo recordado (24-27). Copiar os
modelos político-religiosos dos canaanitas, que exploravam e
oprimiam os camponeses foi outro pecado (28-31; cf. Nm 25). Quando
faltou água (32-33), o povo reclamou tanto, que até Moisés chegou
a duvidar (cf. Ex 17; Nm 20). Já na terra prometida, em vez de
seguir o projeto de Javé, o povo se deixou fascinar e contaminar com
os projetos dos opressores. O
leitor percebe que o
exílio está
sendo
interpretado como castigo por servir aos
deuses estrangeiros. Mas os vv.
43-46 exaltam da constância de Deus que não abandona seu povo
apesar das suas infidelidades.
Uma
reflexão teológica tem que levar em conta de
que
no Brasil atual um modelo de capitalismo que procurou implementar
justiça social está sendo superado pelas forças imperialistas a
serviço de deus-mercado. Segundo, a democracia participativa está
sendo substituída pelo velho coronelismo. Terceiro, sutilmente o ser
humano está sendo reduzido à mão de obra e mero consumidor,
controlado pelas forças de mercado! Por fim, manipulação astuciosa
dos sentimentos religiosos nas últimas décadas está produzindo uma
classe,
além da elite tradicional,
culpabilizante dos menos favorecidos!
No entanto, o Livro de Gênesis 1,27 diz: “E Deus criou o homem à
sua imagem”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário