quarta-feira, 10 de maio de 2017

Jogadas midiáticas atuais e as profecias nos tempos idos

 Jogadas midiáticas atuais e as profecias nos tempos idos

Vivemos um momento de investida opressora promovido pela mídia hegemônica a serviço do imperialismo capitalista patrimonial. Vemos como ela direciona o percurso da nossa história, mas não para o bem de todos os cidadãos brasileiros. Neste contexto, baseando-nos em Jr 28,1-17, queremos mostrar que esse fenômeno infeliz já existia em tempos idos, e que a profecia de Jeremias é emblemática neste sentido.
Profeta Jeremias viveu entre dois períodos políticos muito distintos em Judá. O primeiro diz a respeito aos anos que precederam a morte do rei Josias (609 a.C), um período de independência política, prosperidade econômica e de reforma religiosa. O segundo período, marcado por rápida decadência político-econômica, em que Judá esteve dominado pelo Egito e pela Babilônia sucessivamente (605-586/7 a.C.).
O profeta atua intermediando a comunicação entre divindade e os humanos, instrumento midiático da palavra, geralmente vinculado aos movimentos sociais e à cultura; agia como porta-voz dos pobres e oprimidos, contudo o AT fala dos grupos de profetas, que promoviam interesses diversos. Para Jeremias, o falso profeta mente, desviando o povo, impedindo que se converta e volte para o caminho da Aliança com Javé. O profeta autêntico, pelo contrário, é chamado para fazer a soberania de Javé ir além do âmbito do Sagrado, tangendo a vida social e demais áreas do domínio estatal.
A derrocada do império assírio (631 a.C.) deu origem aos confrontos entre o Egito e a Babilônia, para dominar a região; foi Babilônia que ganhou no final. Existiam, pelo menos duas facções na corte de Jerusalém: uma pró-Babilônia e outra pró-Egito. O clero, que tinha se afastado dos ideais da Aliança mosaica, os altos funcionários do rei, grandes proprietários, junto com os setores do comércio internacional, favoreciam a aliança com o Egito. Todos rejeitaram as críticas do Jeremias, porém alguns entre a nobreza concordavam com as orientações de Jeremias (cf. Jr 36,14-20).
Jr 28 nos informa que Rei Sedecias de Judá foi convidado pelos reis de Moab, Edom, Amon, Tiro e Sidõnia para formar uma coalizão anti-babilônica. Profeta Jeremias recebeu uma ordem de Javé por meio de uma ação simbólica (canga no pescoço) a anunciar que Judá deveria submeter-se ao senhorio de Babilônia (cf. Jr 27,3-11), como a única possibilidade de salvação e a garantia de permanência do rei em Judá (cf. Jr 27,12-13). Jeremias alerta que os falsos profetas mentem ao anunciar a insubmissão ao poder opressor (cf. Jr 27,9-10.14-15). Hananias, um profeta de palácio pretende falar em nome de Javé e desautoriza a palavra de Jeremias (cf. Jr 28.2-4). Ele declara publicamente que Jeremias é o falso profeta, incapaz de discernir a vontade de Javé na história. Na verdade a profecia deste reflete os sonhos, desejos e ideais dos grupos pró-Egito. Para esses render-se à Babilônia significava perder as mordomias que os aliados da Coroa usufruíam.
Em sua resposta a Hananias, Jeremias põe à prova a profecia propondo um critério de discernimento, o da confirmação histórica (cf. Jr 28, 5-17; também Dt 18,21-22). Porém, Hananias retira o jugo do pescoço de Jeremias e o quebra. Essa mensagem, assim como a dos demais profetas do palácio (cf. Jr 14,13-14), constituiu-se como propaganda midiática que servia aos interesses de corrupção e da morte, consequência de desconhecimento e distanciamento de Deus. Suas palavras eram enganadoras e buscavam sintonia com o desejo do povo, igualmente culpado. Deus fez com que Jeremias desse uma resposta a Hananias (cf. Jr 28,13-16). Distinguir entre os falsos e verdadeiros profetas não é tarefa fácil. Contudo, a história confirmou a profecia de Jeremias: Hananias morreu naquele ano (Jr 28,17), assim como Jeremias tinha profetizado e mais tarde Judá foi conquistado por Babilônia.
Jeremias não era um propagandista pró-Babilônia, mas sua profecia serviu para denunciar a indiferença de Judá em relação aos valores éticos ligados à Aliança. Ele reconheceu que o mais sensato naquele momento era render-se à Babilônia. Seus oráculos visavam a conversão de todo o povo para promover a equidade, o direito e a justiça, o ideal de uma sociedade igualitária.
Na atualidade o capitalismo patrimonial hegemônico apresenta-se como ‘o dado’ que vem de Deus e adota o tom moralista (hipócrita) que engana um grande número dos cidadãos!









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