A SEMANA SANTA
A Semana
Santa começa no domingo de Ramos. Todos os quatro Evangelhos reportam a solene entrada
real de Jesus em Jerusalém, o centro religioso-político da Palestina (cf. Mt
21,1-17; Mc 11,3-11; Lc 19,28-42; Jo 12, 12-16). O texto de Mateus tem duas
citações do AT para enfatizar a qualidade especial desta ‘procissão’ com a
participação popular entusiasta, além de contrastar a entrada de Jesus com a
dos reis poderosos deste mundo. O autor apresenta o evento como cumprimento do
que foi dito no AT. O texto de Marcos é muito semelhante ao do Mateus. Lucas e
Mateus mencionam o pedido dos fariseus, indignados, a Jesus para acalmar os
ânimos da multidão que torcia por ele. Porém, a resposta do Nazareno foi um “não”;
diante disso, João menciona que os fariseus discutiram entre si sobre o pouco
resultado da sua campanha contra o rabino de Nazaré; disseram: “Vede: nada
conseguis. Todos vão atrás dele!” (Jo 12,19). Os Sinóticos têm um detalhe: a
história do empréstimo do jumentinho para Jesus montar; no emprestar do animal
se vê Jesus exercendo o antigo direito real de requisitar transporte e outros
objetos necessários para governar; o mais importante, o Nazareno é rei
pacífico, pois o cavalo é o animal da guerra e não o jumentinho!
A Missa de Santos Óleos na Quinta-feira
Santa pela manhã é a celebração anual que reúne todos os presbíteros da diocese
junto com o Bispo diocesano que preside. Durante esta liturgia os padres reunidos
renovam suas promessas presbiterais; num segundo momento desta liturgia o bispo
abençoa os óleos a serem usados nas paróquias e comunidades nas celebrações dos
sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Unção dos Enfermos durante o ano
todo. Essa é a expressão da comunhão diocesana. Este ano essa solenidade vai ser
realizada na Matriz Cristo Luz dos Povos, no dia 13 de abril às 08:00 horas.
No final da tarde do mesmo dia,
acontece a Missa de Lava-pés em todas as paróquias. É a lembrança da grande
lição do exercício de autoridade que Jesus o Nazareno ensinou aos seus discípulos
naquela ceia derradeira (Jo 13,1-16). Lc 22,24-27 reporta a discussão entre os
presentes naquele momento, sobre qual deles seria o maior. Além disso, todos os
evangelhos reportam a predição da traição de Judas e a negação de Pedro.
As palavras consideradas
tradicionalmente como a instituição da eucaristia (Mt 26,26-29; Mc 14,17-21; Lc
22.1419-20 e 1Cor 11,23-25) apresentam um grande desafio de entender o
simbolismo eucarístico e necessita da elaboração mais extensa que não cabe
aqui.
Na sexta-feira Santa celebra-se a
Paixão do Senhor. A celebração consiste na leitura da Paixão, orações
universais, a veneração da Cruz e a comunhão eucarística. Expressões populares
devocionais como a Via Sacra tradicional ou até mesmo encenação da Paixão enriquecem
e acrescentam ao simbolismo do dia que recorda a morte do Senhor.
No sábado Santo, após o por do sol,
celebra-se a Vigília Pascal, popularmente conhecido como a “Missa do Fogo Novo”;
(1) Ascender o Círio Pascal, simbolizando a ressurreição do Senhor; (2) a
Proclamação da Páscoa; (3) sete leituras do AT e dois do NT que, na sua
conjuntura, contam brevemente a História da Salvação; (4) batizados e a
Renovação das Promessas Batismais para os já batizados, com o resto da liturgia
eucarística compõem a liturgia mais solene do ano todo.
É necessário mencionar quatro
leituras especiais feitas nesta semana: Is 42,17 na segunda-feira; Is 49,1-6 na
terça-feira; Is 50,4-9a na quarta-feira; e Is 52,13-53-12 na sexta-feira da
Paixão. São perícopes chamados “cânticos do servo sofredor” que falam de uma
figura misteriosa. Foram entre os primeiros trechos bíblicos que ajudaram os
discípulos de Jesus superar o escândalo da cruz e desvendar a enigma da pessoa
e a missão de Jesus de Nazaré.

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