A fé na ressurreição de Jesus
No dia 16 de abril celebramos a Solenidade da Páscoa.
É uma das solenidades que se celebra liturgicamente durante oito dias. Portanto
esta semana (16-22) é a semana da ressurreição. Queremos oferecer algumas
reflexões sobre a fé na ressurreição que se celebra na liturgia.
Pelo que sabemos, a fé na ressurreição de Jesus
surgiu, em primeiro lugar, num ambiente litúrgico (cf. Lc 24, 13-35). De acordo
com este texto, dois dos discípulos de Jesus, desalentados pelo fim trágico do
Nazareno, estão indo para Emaús. O próprio Jesus encontra-os no caminho e os
leva por um caminho que no final os leva a reconhece-lo como o Ressuscitado. Aquele
estranho que entrou nas suas vidas por acaso, é o mesmo que despertou tantas
esperanças neles e inúmeros outros! O cunho litúrgico deste perícope é inegável
(cf. Lc 24,30-32).
Na verdade, todos os quatro evangelhos que nos falam
da ressurreição, começam suas narrativas dizendo que aqueles que foram ao
túmulo de Jesus, no primeiro dia da semana, encontraram-no vazio (cf. Mc 16,1-8;
Mt 28,1-8; Lc 24,1-10; Jo 20,1-10). Embora fossem informados pelos anjos, isto
é, por iniciativa divina, que Jesus não continua entre os mortos, mas está
vivo, foi um momento de perplexidade e questionamentos (cf. Mc 16,5-7; Mt
28,2-7; Lc 24,4-6). Maria Madalena, os discípulos de Emaús, o discípulo amado e
todos os outros que chegaram a fé na ressurreição, trilharam este caminho
doloroso de medos, dúvidas e questionamentos que no final desembocou na alegria
da ressurreição - a vida nova!
Existe uma multiplicidade de linguagens na Bíblia que
falam da ressurreição. Os verbos “despertar” e “levantar”, usados neste
contexto, sugerem a noção de que Deus se adentrou no sheol, o lugar dos mortos,
e despertou Jesus, o crucificado, para a vida. Há outras fórmulas que confessam
que ‘Jesus morreu e ressuscitou’; nessas, não se fala da intervenção divina,
mas a atenção se desloca para Jesus. Aparecem também hinos e cânticos que
louvam a Deus por ter ‘exaltado’ Jesus após sua morte na cruz (cf. Fl 2,6-11;
1Tm 3,16; Ef 4,7-10). Todavia, em tudo isso expressa se a fé que o acontecido é
a obra de amor do Deus, seu Pai. No mundo pagão, à luz da experiência de Paulo no
Areópago de Atenas (cf. At 17,32) os missionários começaram a usar expressões
como “O que vive” e “O Vivente” para comunicar a novidade da ressurreição de
Jesus (cf. Ap 1,17-18).
Essas ‘linguagens’ nos comunicam a experiência vivida
pelos discípulos de Jesus, simples galileus, de uma radical reviravolta em suas
vidas. Voltaram a se reunir, superando o medo; começaram a anunciar que o
Crucificado está vivo; instituíram comunidades solidárias dos seguidores de
Jesus em todo império romano. É possível nos aproximar da experiência primeira
e seu conteúdo que desencadeia seu entusiasmo e sua audácia?
Numa primeira aproximação,
é possível afirmar que a fé na ressurreição de Jesus não se apoia no vazio;
está alicerçada numa “experiência de encontro pessoal” dos discípulos com o
Ressuscitado. A partir daí viveram um processo que lhes abriu para uma
experiência nova e inesperada da presença de Jesus entre eles. Experimentaram-se
Jesus vivo, e foram transformados em testemunhas intrépidos ‘no dia de
Pentecostes’. Os Atos dos Apóstolos contêm resumos que retratam as primeiras
comunidades (cf. At 2,42-47; 4,32-35; 5,12-16). Os capítulos três e quatro nos
apresentam um episódio que exemplifica como a fé na ressurreição de Jesus de
Nazaré se torna a fonte da libertação para toda humanidade.
FELIZ PÁSCOA!
P

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