sábado, 15 de abril de 2017

A fé na ressurreição de Jesus

A fé na ressurreição de Jesus

No dia 16 de abril celebramos a Solenidade da Páscoa. É uma das solenidades que se celebra liturgicamente durante oito dias. Portanto esta semana (16-22) é a semana da ressurreição. Queremos oferecer algumas reflexões sobre a fé na ressurreição que se celebra na liturgia.

Pelo que sabemos, a fé na ressurreição de Jesus surgiu, em primeiro lugar, num ambiente litúrgico (cf. Lc 24, 13-35). De acordo com este texto, dois dos discípulos de Jesus, desalentados pelo fim trágico do Nazareno, estão indo para Emaús. O próprio Jesus encontra-os no caminho e os leva por um caminho que no final os leva a reconhece-lo como o Ressuscitado. Aquele estranho que entrou nas suas vidas por acaso, é o mesmo que despertou tantas esperanças neles e inúmeros outros! O cunho litúrgico deste perícope é inegável (cf. Lc 24,30-32).

Na verdade, todos os quatro evangelhos que nos falam da ressurreição, começam suas narrativas dizendo que aqueles que foram ao túmulo de Jesus, no primeiro dia da semana, encontraram-no vazio (cf. Mc 16,1-8; Mt 28,1-8; Lc 24,1-10; Jo 20,1-10). Embora fossem informados pelos anjos, isto é, por iniciativa divina, que Jesus não continua entre os mortos, mas está vivo, foi um momento de perplexidade e questionamentos (cf. Mc 16,5-7; Mt 28,2-7; Lc 24,4-6). Maria Madalena, os discípulos de Emaús, o discípulo amado e todos os outros que chegaram a fé na ressurreição, trilharam este caminho doloroso de medos, dúvidas e questionamentos que no final desembocou na alegria da ressurreição - a vida nova!

Existe uma multiplicidade de linguagens na Bíblia que falam da ressurreição. Os verbos “despertar” e “levantar”, usados neste contexto, sugerem a noção de que Deus se adentrou no sheol, o lugar dos mortos, e despertou Jesus, o crucificado, para a vida. Há outras fórmulas que confessam que ‘Jesus morreu e ressuscitou’; nessas, não se fala da intervenção divina, mas a atenção se desloca para Jesus. Aparecem também hinos e cânticos que louvam a Deus por ter ‘exaltado’ Jesus após sua morte na cruz (cf. Fl 2,6-11; 1Tm 3,16; Ef 4,7-10). Todavia, em tudo isso expressa se a fé que o acontecido é a obra de amor do Deus, seu Pai. No mundo pagão, à luz da experiência de Paulo no Areópago de Atenas (cf. At 17,32) os missionários começaram a usar expressões como “O que vive” e “O Vivente” para comunicar a novidade da ressurreição de Jesus (cf. Ap 1,17-18).

Essas ‘linguagens’ nos comunicam a experiência vivida pelos discípulos de Jesus, simples galileus, de uma radical reviravolta em suas vidas. Voltaram a se reunir, superando o medo; começaram a anunciar que o Crucificado está vivo; instituíram comunidades solidárias dos seguidores de Jesus em todo império romano. É possível nos aproximar da experiência primeira e seu conteúdo que desencadeia seu entusiasmo e sua audácia?

 Numa primeira aproximação, é possível afirmar que a fé na ressurreição de Jesus não se apoia no vazio; está alicerçada numa “experiência de encontro pessoal” dos discípulos com o Ressuscitado. A partir daí viveram um processo que lhes abriu para uma experiência nova e inesperada da presença de Jesus entre eles. Experimentaram-se Jesus vivo, e foram transformados em testemunhas intrépidos ‘no dia de Pentecostes’. Os Atos dos Apóstolos contêm resumos que retratam as primeiras comunidades (cf. At 2,42-47; 4,32-35; 5,12-16). Os capítulos três e quatro nos apresentam um episódio que exemplifica como a fé na ressurreição de Jesus de Nazaré se torna a fonte da libertação para toda humanidade.

FELIZ PÁSCOA!

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