quarta-feira, 29 de março de 2017

A QUARESMA

A QUARESMA, um tempo de conversão

A quaresma é uma tradição antiqüíssima dos cristãos na preparação para a Solenidade da Páscoa. As igrejas que têm suas liturgias organizadas em ciclos anuais celebram este período com leituras, cantos e cerimônias próprias. Toda essa organização litúrgica tem a mudança de vida, quer dizer, o voltar ao caminho do Senhor Deus da Aliança de jeito que os profetas conclamavam o povo outrora, como seu ponto principal.

Na tradição católica este tempo começa na quarta-feira das cinzas e vai até a quinta-feira Santa quando se inicia o Tríduo Pascal. Oração, penitência e caridade são os meios tradicionais recomendados para alcançar a conversão, mudança de vida. Entre todas as práticas quaresmais, é do Sacramento de Penitência e da CF que nós vamos falar aqui.

O perdão, a reconciliação, ou sua ausência demarca a vida de toda pessoa profundamente. É um processo que acontece a todo o momento na vida da gente. Este também tem um aspecto comunitário, o que na tradição católica transformou-se em um rito sacramental. A confissão sacramental é o cume de todo um processo que afeta a vida positivamente e tem que ser bem celebrado.

Uma confissão bem feita ajuda melhorar a vida da pessoa em todos os aspectos. Efetivamente toda pessoa tem uma opção fundamental na sua vida que a norteia em sua a totalidade. Todos os atos humanos são motivados pela opção fundamental, portanto o que se considera “pecado” é mais bem vista à luz desta opção, junto com as escolhas feitas e decisões tomadas ao longo da vida da pessoa.
Assim sendo é importante que o/a penitente procure um presbítero a quem consegue se abrir num diálogo fraterno a fim de considerar sua opção fundamental, valorar os atos individuais, assim fazer do sacramento da reconciliação um momento de encontro com o Pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32). De outra forma o sacramento se degenera numa recitação da lista de “pecados”, seguida por uma “absolvição”. Claro, ‘os mutirões de confissão’ não são momentos oportunos para tal celebração do sacramento da Penitência.  

As Campanhas da Fraternidade há mais de meio século, vêm realçando a importância do aspecto social da conversão. A interação entre a conversão pessoal que motiva a conversão social, e o bem oriundo destas campanhas para a sociedade brasileira já é um capítulo bem-aventurado da nossa história.

A CF 2017 (Biomas brasileiros e a defesa da vida) oportunamente reflete sobre nossaa administração da riqueza que “Deus fez o universo e viu que tudo era bom” e entregou aos cuidados do “ser humano livre (que) à sua imagem Deus criou” com a tarefa de “cultivar e bem guardar a criação”. Em contrapartida, há outro canto da Campanha que fala do “grito de lamento (que) sobe ao céu, ao Criador: ‘O guardião da casa aqui virou depredador’”. Através dos cânticos, encontros, estudos e das outras atividades a Campanha procura incentivar a conscientização da necessidade de nos assemelhar cada vez mais a “imagem e semelhança” de Deus que nos considera “(sua) obra principal”.
Todos estes preparativos desembocam na Semana Santa e a solenidade da Ressurreição do Senhor.

Estes eventos litúrgicos formam o ápice de toda ação litúrgica anual. É evidente que a correspondência entre a vida cotidiana e a ação litúrgica é que marca a qualidade da vida cristã. Na Vigília Pascal (Sábado à noite), popularmente conhecida como a “Missa do fogo novo” há um momento da ‘renovação das promessas batismais’ que, de fato, é o manancial de toda vida da fé o ano todo. É preciso entrar um pouco mais detalhadamente nalgumas das celebrações litúrgicas para que se evidenciem as implicações destes momentos para a vida quotidiana.

 “Se o grão de trigo não morrer,
Caindo em terra fica só;
Mas se morrer dentro da terra,
Dará frutos abundantes” (Jo 12,24 CF 2015).






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