A QUARESMA, um tempo de conversão
A quaresma é uma tradição antiqüíssima dos cristãos na
preparação para a Solenidade da Páscoa. As igrejas que têm suas liturgias
organizadas em ciclos anuais celebram este período com leituras, cantos e
cerimônias próprias. Toda essa organização litúrgica tem a mudança de vida,
quer dizer, o voltar ao caminho do Senhor Deus da Aliança de jeito que os
profetas conclamavam o povo outrora, como seu ponto principal.
Na tradição católica este tempo começa na quarta-feira das
cinzas e vai até a quinta-feira Santa quando se inicia o Tríduo Pascal. Oração,
penitência e caridade são os meios tradicionais recomendados para alcançar a
conversão, mudança de vida. Entre todas as práticas quaresmais, é do Sacramento
de Penitência e da CF que nós vamos falar aqui.
O perdão, a reconciliação, ou sua ausência demarca a vida de
toda pessoa profundamente. É um processo que acontece a todo o momento na vida
da gente. Este também tem um aspecto comunitário, o que na tradição católica transformou-se
em um rito sacramental. A confissão sacramental é o cume de todo um processo
que afeta a vida positivamente e tem que ser bem celebrado.
Uma confissão bem feita ajuda melhorar a vida da pessoa em
todos os aspectos. Efetivamente toda pessoa tem uma opção fundamental na sua
vida que a norteia em sua a totalidade. Todos os atos humanos são motivados
pela opção fundamental, portanto o que se considera “pecado” é mais bem vista à
luz desta opção, junto com as escolhas feitas e decisões tomadas ao longo da
vida da pessoa.
Assim sendo é importante que o/a penitente procure um
presbítero a quem consegue se abrir num diálogo fraterno a fim de considerar
sua opção fundamental, valorar os atos individuais, assim fazer do sacramento da
reconciliação um momento de encontro com o Pai misericordioso (cf. Lc
15,11-32). De outra forma o sacramento se degenera numa recitação da lista de
“pecados”, seguida por uma “absolvição”. Claro, ‘os mutirões de confissão’ não
são momentos oportunos para tal celebração do sacramento da Penitência.
As Campanhas da Fraternidade há mais de meio século, vêm
realçando a importância do aspecto social da conversão. A interação entre a
conversão pessoal que motiva a conversão social, e o bem oriundo destas campanhas
para a sociedade brasileira já é um capítulo bem-aventurado da nossa história.
A CF 2017 (Biomas brasileiros e a defesa da vida) oportunamente
reflete sobre nossaa administração da riqueza que “Deus fez o universo e viu
que tudo era bom” e entregou aos cuidados do “ser humano livre (que) à sua
imagem Deus criou” com a tarefa de “cultivar e bem guardar a criação”. Em contrapartida,
há outro canto da Campanha que fala do “grito de lamento (que) sobe ao céu, ao
Criador: ‘O guardião da casa aqui virou depredador’”. Através dos cânticos,
encontros, estudos e das outras atividades a Campanha procura incentivar a
conscientização da necessidade de nos assemelhar cada vez mais a “imagem e
semelhança” de Deus que nos considera “(sua) obra principal”.
Todos estes preparativos desembocam na Semana Santa e a solenidade
da Ressurreição do Senhor.
Estes eventos litúrgicos formam o ápice de toda ação
litúrgica anual. É evidente que a correspondência entre a vida cotidiana e a
ação litúrgica é que marca a qualidade da vida cristã. Na Vigília Pascal
(Sábado à noite), popularmente conhecida como a “Missa do fogo novo” há um
momento da ‘renovação das promessas batismais’ que, de fato, é o manancial de
toda vida da fé o ano todo. É preciso entrar um pouco mais detalhadamente nalgumas
das celebrações litúrgicas para que se evidenciem as implicações destes
momentos para a vida quotidiana.
“Se o grão de trigo não morrer,
Caindo em terra fica só;
Mas se morrer dentro da terra,
Dará frutos abundantes” (Jo 12,24 CF 2015).

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