quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Deus protege seu "filho", seu projeto

Deus protege seu “filho”, seu projeto

A segunda parte do segundo capítulo do Evangelho de Mateus (Mt 2, 13-23) nos conta: 1) da brutalidade imperialista (a massacre dos meninos) ao perceber que seus projetos serão contrariados; 2) da condição dos refugiados e migrantes da família de Jesus.

Os magos, terminado sua visita e tendo prestado homenagem ao menino de Belém, foram embora para suas terras sem voltar para Herodes com as informações que ele havia pedido (cf. Mt 2, 7-12). Depois disso o Anjo do Senhor comunicou uma mensagem urgente a José num sonho. Ele foi avisado do perigo mortal que Jesus, o recém-nascido, corria, pois o rei ia procurar matá-lo. A saída da situação era fugir para o Egito com o menino e a sua mãe. José, ao levantar tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito ‘durante a noite’.

Mais uma vez a intenção teológica do autor transparece, pois ele cita Os 11,1 que diz: “Do Egito chamei o meu filho” como chave interpretativa do episódio. A identidade do povo de Deus, ‘filho’ aplicada aqui, de maneira proeminente a pessoa de Jesus de Nazaré, é mais um passo do desenvolvimento cristológico novotestamentário.

Herodes, ao perceber que os magos tinham seus próprios planos e que estes não se encaixavam em seus desígnios imperialistas, enfureceu-se e mandou matar os meninos de dois anos para baixo na região de Belém. Outra vez o autor cita um texto veterotestamentário para iluminar a compreensão da situação. A citação é de Jr 31,15. O lamento de Raquel é aplicada a essa situação em que imperialismo não hesita massacrar seres humanos para manter seu sistema de privilégios e lucros ilesos!

Passaram-se os anos, assim como todos os poderosos deste mundo perecem, Herodes também morreu. Apareceu o Anjo do Senhor em sonho outra vez a José orientando-o para voltar a terra de Israel porque os que buscavam tirar a vida do menino já tinham morrido. A peregrinação dos refugiados começa outra vez, esta vez de volta. Todavia, quando ficaram sabendo que Arquelau, filho de Herodes tinha-lhe substituído no trono, não quiseram voltar para Judeia. De novo, José recebe orientação divina e a família se estabelece em Nazaré, Galileia. Essa escolha que os país de Jesus fizeram é interpretada à luz de Jz 13,5.7. É notável que não haja unanimidade na interpretação dessa citação; ela continua aberta a diversas significações, todas com validade considerável.

Para concluir as reflexões que fizemos sobre “o Evangelho da infância”, podemos dizer o seguinte. A comunidade/a tradição mateana responde a pergunta: quem é Jesus? Ele é filho de Davi, que é filho de Abraão, Filho de Deus, Emanuel (Deus conosco) e Jesus, quer dizer, o salvador do seu povo dos seus pecados. Desde seu nascimento ele está inserido na situação humana, com toda sua ambiguidade e é dependente das decisões humanas (seus pais Maria e José como exemplo), decisões essas, tomadas, auxiliadas pela iluminação divina.


São os magos, percebendo sinais de mudança radical na natureza (estrela-guia) que saem em sua busca e o encontram e reconhecem a divindade presente no menino vulnerável de Belém. A libertação origina na periferia, não na metrópole, nem na casa real. Os que sabem disso das Escrituras, isto é “todos os sumos sacerdotes e doutores da Lei” seguem as políticas imperialistas. Herodes, o fantoche imperialista, age com crueldade desde o primeiro momento que ficou sabendo que nasceu um ‘novo rei’. Ele procura eliminar qualquer possibilidade de uma alternativa para o imperialismo. Por isso promove chacinas e matanças em massa prontamente. Mesmo assim o império não tem a palavra final. Os propósitos de Deus estão protegidos.

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