quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O nascimento e a infância de Jesus

O nascimento e a infância de Jesus

São dois capítulos iniciais no Evangelho de Mateus que falam do nascimento e a infância de Jesus em apenas 48 ver-sículos. O autor começa contar a história de Jesus de Nazaré com sua genealogia que vai de Abraão até José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo (1,1-16). Logo no primeiro versículo ele nos informa que Jesus é o filho de Davi. 

Depois da genealogia ele apresenta um relatório que narra de como José chegou a assumir a paternidade legal de Jesus (1,18-25). Maria era comprometida em casamento com José, porém antes de começar a vida juntos, ela se achou grávida. José era um homem justo e não quis denunciar sua noiva e decidiu abandoná-la secretamente. Mas, houve uma intervenção divina e José a levou para sua casa como esposa. Quando nasceu a criança José deu o nome de Jesus a recém-nascido e assim se tornou o pai legal de Jesus.

Passando para o segundo capítulo: aqui temos a história da visita dos magos (2,1-12); em seguida as circunstâncias da fuga da família para o Egito e em seguida somos informados do massacre dos inocentes (2,13-18). O capítulo termina narrando como mais uma intervenção divina levou a família ir morar em Nazaré (2,19-23).

Aqui é necessário comentar sobre os textos desde o início para mostrar a intenção teológica do autor. O anúncio primitivo cristão era sobre a ressurreição de Jesus. Com tempo cresceu a curiosidade sobre o ressuscitado e nós temos as quatro narrativas da Paixão; mais tarde se contava do ministério de Jesus. Por fim Mateus e Lucas acrescentaram ‘os evangelhos da infância’. Hoje se refere a este processo da formação dos evangelhos com a expressão: “o percurso inverso no desenvolvimento cristológico”.

O primeiro capítulo começa com a genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Temos uma lista de setenta e duas gerações, bem organizada em três blocos de quatorze cada. Há quatro mulheres incluídas: Tamar, Raab, Rute e a mulher de Urias (Betsabéia), como se fosse a preparação para a quinta (Maria de Nazaré) da qual nasce Jesus chamado Cristo.

De acordo com os padrões bíblicos, sua presença na ge-nealogia é incomum! O que será que fez o autor incluí-las na lista dos antepassados do salvador? Uma primeira hipótese defendida por Jerônimo considera as quatro pecadoras; sua inclusão prenuncia para os leitores de Mateus o papel de Jesus como Salvador dos pecadores. A segunda, popularizada por Lutero enfatiza a origem das quatro: eram estrangeiras. A terceira que hoje tem muitos seguidores encontra dois elementos comuns nessas quatro mulheres do AT.


Elementos esses que as quatro mulheres partilham com a Maria: a) há algo de extraordinário ou irregular em sua união com seus parceiros, e mesmo nessa situação (escandalosa para os estranhos?) continuaram a linhagem abençoada do Messias; b) as mulheres demonstram iniciativa ou desempenharam um papel importante no plano de Deus, e, assim foram consideradas instrumentos da providência de Deus ou do Espírito Santo. 

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