O nascimento e a infância de Jesus
São dois
capítulos iniciais no Evangelho de Mateus que falam do nascimento e a infância
de Jesus em apenas 48 ver-sículos. O autor começa contar a história de Jesus de
Nazaré com sua genealogia que vai de Abraão até José, o esposo de Maria, da
qual nasceu Jesus chamado Cristo (1,1-16). Logo no primeiro versículo ele nos
informa que Jesus é o filho de Davi.
Depois da
genealogia ele apresenta um relatório que narra de como José chegou a assumir a
paternidade legal de Jesus (1,18-25). Maria era comprometida em casamento com
José, porém antes de começar a vida juntos, ela se achou grávida. José era um
homem justo e não quis denunciar sua noiva e decidiu abandoná-la secretamente.
Mas, houve uma intervenção divina e José a levou para sua casa como esposa.
Quando nasceu a criança José deu o nome de Jesus a recém-nascido e assim se
tornou o pai legal de Jesus.
Passando para o
segundo capítulo: aqui temos a história da visita dos magos (2,1-12); em
seguida as circunstâncias da fuga da família para o Egito e em seguida somos
informados do massacre dos inocentes (2,13-18). O capítulo termina narrando
como mais uma intervenção divina levou a família ir morar em Nazaré (2,19-23).
Aqui é
necessário comentar sobre os textos desde o início para mostrar a intenção
teológica do autor. O anúncio primitivo cristão era sobre a ressurreição de
Jesus. Com tempo cresceu a curiosidade sobre o ressuscitado e nós temos as
quatro narrativas da Paixão; mais tarde se contava do ministério de Jesus. Por
fim Mateus e Lucas acrescentaram ‘os evangelhos da infância’. Hoje se refere a
este processo da formação dos evangelhos com a expressão: “o percurso inverso
no desenvolvimento cristológico”.
O primeiro
capítulo começa com a genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de
Abraão. Temos uma lista de setenta e duas gerações, bem organizada em três
blocos de quatorze cada. Há quatro mulheres incluídas: Tamar, Raab, Rute e a
mulher de Urias (Betsabéia), como se fosse a preparação para a quinta (Maria de
Nazaré) da qual nasce Jesus chamado Cristo.
De acordo com
os padrões bíblicos, sua presença na ge-nealogia é incomum! O que será que fez
o autor incluí-las na lista dos antepassados do salvador? Uma primeira hipótese
defendida por Jerônimo considera as quatro pecadoras; sua inclusão prenuncia
para os leitores de Mateus o papel de Jesus como Salvador dos pecadores. A
segunda, popularizada por Lutero enfatiza a origem das quatro: eram
estrangeiras. A terceira que hoje tem muitos seguidores encontra dois elementos
comuns nessas quatro mulheres do AT.
Elementos esses
que as quatro mulheres partilham com a Maria: a) há algo de extraordinário ou
irregular em sua união com seus parceiros, e mesmo nessa situação (escandalosa
para os estranhos?) continuaram a linhagem abençoada do Messias; b) as mulheres
demonstram iniciativa ou desempenharam um papel importante no plano de Deus, e,
assim foram consideradas instrumentos da providência de Deus ou do Espírito
Santo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário