quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A cegueira - um paradoxo em nossos dias!

A cegueira – um paradoxo em nossos dias!

Em face de impossibilidade de obter a colaboração do que era cego de nascença para incriminar Jesus de Nazaré (cf. Jô 9,13-17) o supremo decidiu abrir outro leque de investigação para criminalizar a práxis de Jesus (Jo 9,18-23), pois era uma urgência para as elites.

Realizaram uma interpelação coercitiva dos pais do homem que era cego de nascença. Os pais garantiram que ele, a pessoa sendo investigada, era mesmo seu filho; é verdade que ele era cego de nascença, mas agora ele não é mais. No entanto, quanto a como ele recuperou sua vista ou quem lhe abriu os olhos, eles se declararam não cientes. Ademais, eram de opinião de que os investigadores mesmos deveriam demandar explicações do próprio sujeito, visto que ele já tinha a idade suficiente para fazer declarações em juízo.

De fato, foi medo que levou os pais do que era cego adotarem tal posição. Aqui o autor insere dois versículos para nos informar sobre a hostilidade que as comunidades do movimento Jesus enfrentavam naqueles tempos (Jo 9,22-23). ‘Expulsar da sinagoga/comunidade’ foi uma arma poderosa a disposição dos detentores do poder desde sempre. Dito isso, temos que notar que a ‘força tarefa’ que caçava Jesus de Nazaré se tinha dado de frente com um muro outra vez!

Mas, não desistiram! Convocaram o que era cego de nascença para depor outra vez. Presumindo serem donos do processo, e esperando conseguir ‘uma delação premiada’ as autoridades procuraram colocar as respostas na boca do respondente. No entanto, ele se esquiva do estratagema e recusa concordar com a afirmação condenatória: “é um pecador”, daquele que foi seu benfeitor (9,24) e testifica a sua cura em termos favoráveis, frustrando o esquema dos poderosos que perseguiam o Nazareno.

Recomeça o interrogatório sobre os detalhes do acontecido (Jo 9,26). Como ele já tinha respondido estas perguntas mais de uma vez, o que era cego ironiza destemidamente: “Por acaso quereis também tornar-vos seus discípulos?” A cúpula reagiu com violência, condenou-o, justificou-se com arrogância por serem discípulos de Moises. Alem disso, declararam que sabiam de onde Moisés vinha, mas quanto ao que mudou a condição do cego não sabiam da sua origem (cf. Jo 9, 28-30).

Outra oportunidade para quem recuperou a vista, contestar o uso de teologia para fins obscurantistas, apresentou-se (cf. Jo 9, 30-34). Ele desmascarou a hipocrisia religiosa-política opressora dos seus interrogadores. Por mais coerente fosse seu raciocínio teológico, ‘o supremo’ condenou seu autor como ‘pecador’ e se vingou expulsando-o da comunidade pela sua ousadia em questionar as bases do exercício de seu poder!

Chegamos o ponto alto da narrativa: Jesus, tendo notícias sobre aquele a quem ele libertou da sua cegueira de nascença, procurou o e o guiou passo a passo a uma profissão da fé. A cena encerra-se com o gesto de reconhecimento da parte do que foi curado, do Senhorio de Jesus de Nazaré.

Os últimos versículos do capítulo 9 são paradoxais: Então disse Jesus: “Para um discernimento é que vim a este mundo: para que os que não veem, vejam, e os que veem, tornem-se cegos”. Alguns fariseus, que se achavam com ele, ouviram isso lhe disseram: “Acaso também nós somos cegos?” Respondeu-lhes Jesus: “se fosseis cegos, não teríeis pecado; mas dizeis: ‘Nós vemos!’ Vosso pecado permanece” (Jo 9, 39-41).

Educação como conscientização da dignidade do cidadão é combatida vigorosamente pelos que procuram inserir seu povo na onda neocolonial e recolonizadora - paradoxo está no meio de nós ainda! 




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