quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O reino de Deus e o dinheiro dos super-ricos

O Reino de Deus e o dinheiro dos super-ricos


A revista semanal estadunidense National Catholic Reporter, na sua edição digital de 20 de julho de 2016 publicou a recensão do livro “Dark Money: the hidden history of the billionaires behind the rise of the radical right”, de autoria de Jane Mayer e publicado por Doubleday. Este livro estuda como o dinheiro dos super-ricos empoderou a extrema direita e subverteu processos políticos nos EUA. Atualmente, financiado pelos super-ricos, o Brasil e vários outros países vivem um processo de perversão dos governos para servir os interesses econômicos nefastos.
Em 2013 a Universidade Católica de América (CUA) recebeu uma doação de um milhão de dólares de Koch Brothers. Cinquenta intelectuais ligados às instituições educacionais católicas questionaram a conveniência de receber tal doação, num documento que apontava para a distância entre os ideais da Doutrina Social da Igreja e os dos grupos empresariais como Koch Brothers.
O livro de Mayer afirma que o medo que os cinquenta católicos expressaram é real, pois o dinheiro dos super-ricos tem financiado substituição dos governos legítimos (inclusive o golpe parlamentar no Brasil) além de implantar mercenarismo no Partido Republicano nos EUA. Os mesmos interesses financeiros bancam organizações de fachada como Revoltados online, MBL e muitas outras, aqui no Brasil.
Mayer mostra como as elites conservadoras estadunidenses remodelaram a “paisagem” política, econômica e cultural do país a seu favor, aplicando seu dinheiro nos processos políticos. Tal empreendimento enriqueceu-os ainda mais à custa da classe média pobre dos trabalhadores. É a continuação das associações como “John Birch Society” e similares do passado que procuravam preservar seus privilégios.
Sua estratégia procura influenciar os debates sobre políticas públicas com uso judicioso das vultosas somas de dinheiro a sua disposição. Instituíram “think tanks” como “Cato Institute” e cátedras nas universidades, financiando intelectuais para discursar a favor dos seus interesses econômicos. Foi isso que deu origem às dúvidas sobre a doação que CUA recebeu. O que CUA recebeu não foi nada em comparação ao que George Mason University e Ivy League Schools receberam para promover ideologias conservadoras. Vale lembrar que elementos de judiciário brasileiro que atuaram mais para preparar o golpe no Brasil foram adestrados em instituições estadunidenses como Harvard Law School.
Patrocinam projetos de lei que diminuíam impostos dos super-ricos e modificaram regulamentos das empresas para aumentar seus lucros, e diminuir os ganhos dos trabalhadores. Financia movimentos da base para popularizar suas ideias e campanha midiática com a rede de TV FOX à sua frente. (No Brasil Globo e similares são propriedades dos tais interesses). Noutra frente assaltaram as leis que proibiam a compra dos legisladores por empresas para possibilitar financiamento anônimo dos candidatos nas eleições. A autora cita o exemplo do estado de Pennsilvania onde os Democratas com 51% de votos conseguiram eleger apenas 5 representantes enquanto os Republicanos conseguiram 13, pois tinham modificado as demarcações dos distritos eleitorais!
As elites privatizaram, com seu dinheiro, não somente o Partido Republicano, mas também os governos federal e estaduais estadunidenses. Parece que vivemos um momento das trevas, mas a reeleição do Presidente Obama mostra que o poder do dinheiro não é tudo. Os empresários Koch Brothers e Sheldon Adelson tinham gasto U$ 657 milhões contra Obama para eleger Mitt Romney!
Pe. Kurian.




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