terça-feira, 6 de setembro de 2016

"Eis que mudarei a sorte das tendas de Jacó" (Jr 30,18)

Eis que mudarei a sorte das tendas de Jacó” (Jr 30,18)


O contexto dessa reflexão concludente sobre Profeta Jeremias é o céu carregado de nuvens escuros e sinais visíveis advertindo tempestades lá na frente. Justamente aqui descobriremos sua mensagem relevante ainda hoje, o anúncio de esperança, da reconstrução da nação esfarrapada baseando-se na Aliança com Javé. Começamos comentando o que restou dos textos lidos na liturgia que proclamam essa promessa divina.
O primeiro texto (Jr 18,1-6) fala de Jeremias observando o trabalho de oleiro que refaz as peças defeituosas para aperfeiçoá-las. É isso que Deus faz com seu povo, anunciou o profeta. Inconstantes e inconsequentes que sejamos, Deus está sempre em atividade para “nos refazer”. Assim como o barro nas mãos de oleiro, está a humanidade nas mãos de Deus.
Que a população junto com as autoridades constituídas nem quis saber dos desígnios de Deus e tinham continuado a violar a aliança era convidar tragédias. Por isso Jeremias contestou a fé fetichista prevalente e anunciou a destruição do templo (Jr 26,1-9). Aqui ele correu o perigo da morte, porém escapou com a vida por ter a proteção de Aicam, filho de Safã (Jr 26,11-16.24).
De fato, as palavras do profeta convida a nação a viver a essência da religião que contém os elementos determinantes de uma nova presença benévola de Javé entre seu povo. Jeremias justifica seu oráculo, pela razão de o Senhor ter lhe mandado a anunciar o castigo contra o povo e seu templo. Matar o profeta é fácil; mas, isso só aumentaria a culpabilidade. Todavia o corajoso discurso de Jeremias despertou grande indignação entre seus ouvintes e dos círculos proféticos e sacerdotais, mais afinados aos interesses promovidos pelo sistema vigente.
Quem recebeu realmente de Deus sua missão, continua fiel apesar de tudo; está pronto a anunciar até o que desagrada ao povo. E faz isto por amor, para levar à conversão; faz causa comum com o povo, pronto a responder com sua pessoa. Em Jr 28,1-17 lemos como Ananias, o falso profeta contesta os oráculos de Jeremias, prometendo liberdade e o regresso rápido do povo de Babilônia enquanto Jeremias profetiza exílio prolongado. Javé desmascara a mentira, pois Ananias morreu naquele mesmo ano como Jeremias tinha previsto. O verdadeiro profeta profere a palavra de ameaça ou de consolação, para a salvação, para reconduzir a Deus e não para dar “seguranças” alienadoras, para responsabilizar e não para impor silêncio às consciências.
Jeremias entende que Deus castiga não para aniquilar, mas para restaurar (Jr 30,1-2.12-15.18-22). A restauração será algo novo como uma criação, um relacionamento de intimidade nunca antes realizado entre Deus e o povo; será a nova Aliança: “Mudarei a sorte das tendas de Jacó”. É um oráculo de desventura (12-15) e uma profecia de libertação e de esperança (18-22). Intervenção de Javé, a presença na história do amor de Deus que é mais forte do que o pecado, conseguirá mudar a triste condição da comunidade de Israel em vida de verdadeiro culto, de alegria e prosperidade.
Eis a mensagem do Profeta Jeremias para o Brasil que aparentemente está repetindo o 1964 em sua história! O país que acabou de comemorar o dia da sua independência enfrenta desafios na realização plena da sua independência e no manter seu sistema democrático. No momento as forças de retrocesso e ditadura (atrás da fachada de ritos de democráticos) parecem ter conseguido se impôr, porém a volta do povo a Noval Aliança vai mudar a sorte das tendas...


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