“Eis
que mudarei a sorte das tendas de Jacó” (Jr 30,18)
O
contexto dessa reflexão concludente sobre Profeta Jeremias é o céu
carregado de nuvens escuros e sinais visíveis advertindo tempestades
lá na frente. Justamente aqui descobriremos sua mensagem relevante
ainda hoje, o anúncio de esperança, da reconstrução da nação
esfarrapada baseando-se na Aliança com Javé. Começamos comentando
o que restou dos textos lidos na liturgia que proclamam essa promessa
divina.
O
primeiro texto (Jr 18,1-6) fala de Jeremias observando o trabalho de
oleiro que refaz as peças defeituosas para aperfeiçoá-las. É isso
que Deus faz com seu povo, anunciou o profeta. Inconstantes e
inconsequentes que sejamos, Deus está sempre em atividade para “nos
refazer”. Assim como o barro nas mãos de oleiro, está a
humanidade nas mãos de Deus.
Que
a população junto com as autoridades constituídas nem quis saber
dos desígnios de Deus e tinham continuado a violar a aliança era
convidar tragédias. Por isso Jeremias contestou a fé fetichista
prevalente e anunciou a destruição do templo (Jr 26,1-9). Aqui ele
correu o perigo da morte, porém escapou com a vida por ter a
proteção de Aicam, filho de Safã (Jr 26,11-16.24).
De
fato, as palavras do profeta convida a nação a viver a essência da
religião que contém os elementos determinantes de uma nova presença
benévola de Javé entre seu povo. Jeremias justifica seu oráculo,
pela razão de o Senhor ter lhe mandado a anunciar o castigo contra o
povo e seu templo. Matar o profeta é fácil; mas, isso só
aumentaria a culpabilidade. Todavia o corajoso discurso de Jeremias
despertou grande indignação entre seus ouvintes e dos círculos
proféticos e sacerdotais, mais afinados aos interesses promovidos
pelo sistema vigente.
Quem
recebeu realmente de Deus sua missão, continua fiel apesar de tudo;
está pronto a anunciar até o que desagrada ao povo. E faz isto por
amor, para levar à conversão; faz causa comum com o povo, pronto a
responder com sua pessoa. Em Jr 28,1-17 lemos como Ananias, o falso
profeta contesta os oráculos de Jeremias, prometendo liberdade e o
regresso rápido do povo de Babilônia enquanto Jeremias profetiza
exílio prolongado. Javé desmascara a mentira, pois Ananias morreu
naquele mesmo ano como Jeremias tinha previsto. O verdadeiro profeta
profere a palavra de ameaça ou de consolação, para a salvação,
para reconduzir a Deus e não para dar “seguranças” alienadoras,
para responsabilizar e não para impor silêncio às consciências.
Jeremias
entende que Deus castiga não para aniquilar, mas para restaurar (Jr
30,1-2.12-15.18-22). A restauração será algo novo como uma
criação, um relacionamento de intimidade nunca antes realizado
entre Deus e o povo; será a nova Aliança: “Mudarei a sorte das
tendas de Jacó”. É um oráculo de desventura (12-15) e uma
profecia de libertação e de esperança (18-22). Intervenção de
Javé, a presença na história do amor de Deus que é mais forte do
que o pecado, conseguirá mudar a triste condição da comunidade de
Israel em vida de verdadeiro culto, de alegria e prosperidade.
Eis
a mensagem do Profeta Jeremias para o Brasil que aparentemente está
repetindo o 1964 em sua história! O país que acabou de comemorar o
dia da sua independência enfrenta desafios na realização plena da
sua independência e no manter seu sistema democrático. No momento
as forças de retrocesso e ditadura (atrás da fachada de ritos de
democráticos) parecem ter conseguido se impôr, porém a volta do
povo a Noval Aliança vai mudar a sorte das tendas...

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