sexta-feira, 22 de julho de 2016

Romaria dos Mártires

Romaria dos Mártires – Profetas do Reino

A Romaria dos Mártires, na sua quinta edição, foi realizada no Santuário dos Mártires, Ribeirão Cascalheira - MT nos dias 16 e 16 deste mês de julho de 2016. “Um Povo ou uma Igreja que se esquece dos seus mártires não merecem sobreviver”. São palavras do Dom Pedro Cassaldaliga, o primeiro Bispo Prelado da Prelazia de São Felix de Araguaia-MT, que motivam a realização deste evento. Aqui se faz memória dos inúmeros militantes latino-americanos tombados na sua luta por uma sociedade mais justa, fraterna, solidária e igualitária nas Américas.

O Santuário dos Mártires, foi construído depois do assassinato de Pe. João Bosco Penido Burnier (1976) por um policial na delegacia de Ribeirão Cascalheira. No interior desta igreja há um painel de galeria dos mártires. Entre esses profetas do Reino têm retratos dos ambientalistas, camponeses, membros dos movimentos sociais, pescadores, políticos, profissionais liberais, religiosos/as, sindicalistas, teólogos e vítimas dos massacres como a da Candelária. O Mato Grosso do Sul é representado por Marçal Tupã (+1983) e Dorcelina de Oliveira Folador (+1999). A fim de captar o espírito que motiva essa comemoração apresentamos versículos tirados dos hinos cantados na romaria.

“Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão”.

“Ribeirão Bonito, cruz do padre João, alta Cascalheira, gente do sertão. O suor e o sangue fecundando o chão... o profeta João, terra da esperança, povo em mutirão, Igreja dos pobres em libertação”.

“Pai nosso dos pobres, marginalizados, Pai nosso dos mártires, dos torturados... Perdoa-nos quando por medo, ficamos calados diante da morte!”

 “Pelos caminhos da América, há monumentos sem rosto, heróis pintados, mau gosto, livros da história sem cor; caveiras de ditadores, soldados tristes, calados, vendo avançar o amor!”

“Pelos caminhos da América,... marcham punhados de gente com vitória na mão!... há um índio tocando a flauta, recusando a velha pauta que o sistema lhe impôs. No violão, um menino, um negro toca tambores. Há sobre a mesa umas flores, pra festa que vem depois!”

“Quando as cercas caírem no chão, quando as mesas se encherem de pão, eu vou cantar! Quanto os muros que cercam os jardins, destruídos, então os jasmins vão perfumar!... Vai ser tão bonito se ouvir a canção, cantada de novo! No olhar da gente a certeza do irmão, reinado do povo!”

“Este é o nosso país, esta a nossa bandeira. É por amor a esta pátria, Brasil, que a gente segue em fileira... A ordem é ninguém passar fome. Progresso é o povo feliz. A Reforma agrária é a volta do agricultor à raiz”.

“Peregrino nas estradas de um mundo desigual, espoliado pelo lucro e ambição do capital, do poder do latifúndio enxotado e sem lugar. Já não sei por onde andar”.

 “Antes que te formasse dentro do seio de tua mãe, antes que tu nascesses te conhecia e te consagrei... Se calarem voz dos profetas, as pedras falarão! Se fecharem uns poucos caminhos, mil trilhas nascerão!”

“Não temais os que gritam nas praças que está tudo perfeito e correto... os que afirmam de graça que vós nada trazeis de concreto... o papel do profeta é falar. Tende medo somente do medo de que acha melhor não cantar”.

Os mártires “como Jesus, foram fiéis até o fim, como Jesus eles e elas deram a prova maior”.
“Deus é amor, arrisquemos viver por amor. Deus é amor, Ele afasta medo!”



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