terça-feira, 19 de julho de 2016

Profeta Elias

Profeta Elias (1Rs 17,1-2,18).

Numa ocasião anterior nós apresentamos Profeta Oséias como um modelo para o agir profético dos batizados. Hoje veremos a história Elias (1Rs 17,1-2,18) profeta em Israel durante o reino do Acab (874-853 a.C). O rei casou-se com Jezabel, filha de Etbal, rei do Tiro e Sidônia, uma aliança política muito forte que incentivou sincretismo religioso (idolatria do Baal) e até propiciou maior prosperidade material e mais prestígio para o país.

Elias é o profeta zeloso de Javé, o Deus da Aliança. As implicações desta aliança nós encontramos codificadas no AT. Eis dois exemplos: (a) sobre a questão de assegurar comida para todos enquanto povo caminhava no deserto, rumo à terra prometida (Ex 16); e (b) sobre a questão de repartir a terra – o ano sabático e jubilar (Lv 25,2-34) uma vez que o povo estabeleceu-se na terra.

Frequentemente os reis ignoravam a Aliança em sua procura de poder, prestígio e prosperidade maiores do que dos seus vizinhos. O rei Acab foi um deles; ele promoveu a matança dos profetas de Javé, mas Elias conseguiu salvar-se. Por um tempo ele viveu junto à torrente Carit (1Rs 17, 5-7), mas quando ela secou, ele foi se hospedar na casa de uma viúva em Sarepta de Fenicia (1Rs 17,9-24). Sua presença salvou a casa da viúva durante a seca, pois o profeta incentivou a partilha do pouco que ela tinha. Quando o filho da viúva adoeceu o profeta fez com que sua vida fosse restaurada e a mãe chegou a reconhecer explicitamente que Javé, a quem Elias servia, era o Deus verdadeiro.

Elias, no seu zelo pelo Deus verdadeiro, foi ao encontro do rei Acab que, mesmo na falta de chuva que afligia seu reino, se preocupava com seus cavalos (exercito) e mulas (comercio), mais que a sobrevivência do seu povo.  O profeta organiza uma competição entre ele e os profetas dos outros deuses. 1Rs 18 conta a história deste evento realizado no Monte Carmelo. Quando ficou claro que Javé é o Deus verdadeiro, e que Baal e Aserá são deuses falsos os profetas dos falsos deuses foram massacrados. Logo depois choveu trazendo alívio para um povo sofrido. Elias, “com a força do Senhor, cingiu-se e foi correndo à frente de Acab, até a entrada de Jezrael” (uma procissão triunfalista?).

Mas, o relatório dos eventos não agradou a rainha Jezabel e o profeta Elias tornou-se fugitivo outra vez para salvar-se. Esta vez foi para Judá, desanimado e querendo até morrer. Mas ele é alimentado e reanimado por um anjo (1Rs 19,2-9) e prossegue sua viagem para o deserto e chega a monte Horeb, o monte de Deus. Lá ele encontra Senhor Deus; não no furacão violento que passou nem no terremoto, muito menos no fogo que veio em seguida, mas numa brisa suave (cf. 1Rs 19,11-13). Impelido pelo zelo por Javé, Deus de Israel, Elias retoma seu caminho em direção ao deserto de Damasco agindo decisivamente na política regional. Ele ungiu Hazael como rei de Síria, Jeu como rei de Israel (o reino de Norte) e Eliseu profeta, sucessor seu (19,15-21).

O episódio da vinha de Nabot (1Rs 21) é a história de como os poderosos deste mundo manipulam, realizam ritos macabros para alcançar seus objetivos escusos. A atualidade do golpe que matou Nabot e entregou sua terra a Acab é impressionante. Profeta Elias compareceu na presença do rei e anunciou o castigo pela conduta criminosa da família real. Aqui está a oportunidade para o cristão agir em prol do Reino de Deus num mundo que adora falsos deuses como globalização (parcial), investment banking e bolsa de valores que promovem exclusão!

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