“Odiai o mal, amai o bem,
fazei vencer no tribunal o que é justo” (Am 5,15).
Sob o rei Jeroboão 2 (783-743 a.C.) Israel (o reino do
Norte); vivia uma época de prosperidade desconhecida desde os tempos de Salomão
(970-931 a.C.). O preço pago por isso foi grandes injustiças e decomposição
social; a situação dos pobres tornava-se cada vez mais dura. A corrupção
religiosa era marcante: grandes santuários estavam em plena atividade -
promoviam cultos (de fertilidade e prostituição sagrada), ritos e sacrifícios
para aplacar as divindades.
Amós, um criador de gado e cultivador de sicômoros, natural de
Técua em Judá (o reino do Sul), foi chamado a profetizar a Israel (Am 7,14). Era
um homem inteligente, bem informado sobre os acontecimentos nos países
vizinhos, e entendido da situação social, política e religiosa de Israel. Não era
profeta, nem nazireu, entretanto Deus o manda para profetizar em Israel; é um
chamado irrecusável (cf. Am 3,8; 7,15).
Ele é primeiro entre os profetas que transmitiram suas
mensagens por escrito. Suas profecias produziram profunda impressão em seus
ouvintes, pois ele comunicava algo diferente e que não podia ser esquecido. Sua
linguagem é dura, enérgica e concisa. Diferente dos profetas anteriores ele não
e um “reformista”; está tudo está corrompido; a solução é um rompimento radical
– o exílio (cf.Am 8,1-3). O livro contém oráculos, hinos e visões; na sua
grande maioria ameaças e condenações, mas os versículos finais (9,11-15)
retomam a esperança, confiando no perdão de Javé.
O período de seu profetizar foi curto. É provável que ele tivesse
atuado nos santuários de Betel, Samaria e Guilgal. Suas palavras incomodaram as
elites e os poderosos por ele denunciar todo um regime de injustiça. Acabou
sendo expulso por iniciativa do Amasias, o sacerdote no santuário de Betel (cf.
Am 7,10-17). Na profecia de Amós o julgamento de Deus iria atingir não só as nações
pagãs, mas também a Israel, este que já se considerava salva, agora pior do que
os pagãos na prática (cf.1,3-2,16).
O capitalismo iníquo montou uma estrutura em que os ricos
acumulavam riquezas cada vez maiores e viviam em luxo (Am 3,13-15; 6,1-7). Amós
tem condenação especial para as mulheres que estimulavam seus maridos a
explorar os mais fracos (Am 4,2-3). Os juízes protegiam os interesses dos
poderosos; pois são “exploradores dos inocentes, cobradores de suborno, que
enganais o pobre no tribunal” (Am 5,12). Vale lembrar que a Campanha da
Fraternidade Ecumênica 2016 canta: “Quero ver o direito brotar como fonte...”
(cf. Am 5,24) num Brasil que passa por um momento de surto das forças
retrogradas sociais. Amós condena o sistema econômico financeiro sem idoneidade
(“insider trading” e outros) que falsifica os pesos e medidas; manipula os
preços (monopólios) assim impossibilitando a compra e venda das mercadorias por
parte os pobres por um preço justo.
Apesar de tudo isso, se vive a vida religiosa de peregrinações,
sacrifícios, preces, dízimos e organizar festas para agradar a Deus. Mas Deus
não quer oferendas, holocaustos nem cânticos, mas sim, direito e justiça (Am
5,21-24). Amós ataca a falsa segurança religiosa (cf. Am 3,2) e profetiza
catástrofe (o exílio); mas será que existe a possibilidade de escapar o
desastre? Sim. No meio deste ambiente de desolação, no próprio centro do livro,
encontramos a oferta de vida: “Procurem a mim, e vocês viverão” (Am 5,4) e a
exortação: “Odiai o mal, amai o bem, fazei vencer no tribunal o que é justo”
(Am 5,15).

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