sexta-feira, 29 de julho de 2016

Jeremias, profeta de esperança e sua política

Jeremias, profeta de esperança e sua política.

Os babilônios designaram Sedecias para governar Judá ao exilar rei Joaquim em 597 a.C. Seu reino (597-586 a.C.) seria o terceiro período do ministério profético de Jeremias em nosso esquema de dividi-lo em quatro. O grande problema que marca este período é de natureza religiosa. A derrota e deportação impactaram a fé fetichista do povo de Jerusalém e Judá. Exatamente como Jeremias tinha anunciado Deus não defendeu seu povo de maneira incondicional. Era a verdade, pura e simples, porém um fato duro e difícil de aceitar. Neste contexto surgiram interpretações que procuravam suavizar a situação calamitosa com explicações que chegavam a ser simplistas.

A ‘imprensa’ montou uma campanha para desacreditar os exilados: eles não constituíam o verdadeiro povo de Deus, divulgaram os canais oficiais - o exílio era o castigo de Deus por eles serem ímpios e incrédulos, e por isso Javé rompeu com eles. Os que permaneceram em Jerusalém e Judá são aqueles que comprazem a Deus. É uma interpretação tão simplista quando injusta que Jeremias se enfrenta. É neste contexto que o livro fala da sua visão de dois cestos de figos (Jr 24; 29,16-20). Para combater tal teoria corriqueira Jeremias também redige uma carta aos exilados (Jr. 29). Nesta, ele se opõe aos falsos profetas que iludem o povo; os exilados devem levar a vida mais normal possível sem se iludir, porque o exílio será longo. Semeias se opõe ao Jeremias e o denuncia ao sumo sacerdote.

No ano 593 a.C. os reis de Moab, Amon, Tiro e Sídon propõem uma aliança de revolta contra Babilônia a Sedecias (Jr 27,3). Convencido de que Javé entregou todos os territórios a Nabucodonosor, Jeremias se opõe e considera a revolta um suicídio (Jr 27).  Mas, Hananias profetiza contra a prudência política que Jeremias pregava. Aconteceu que neste tempo Sedecias fez uma viagem para Babilônia em vez de revoltar. Da sua parte Jeremias aproveitou dessa viagem do rei para encomendar uma ação simbólica contra Babilônia (cf. Jr. 51,59-64). Contudo, cinco anos mais tarde Sedecias julga o momento ser oportuno e se revolta contra Babilônia. Tropas de Nabucodonosor cercaram Jerusalém. Neste momento os Egípcios atacam a Babilônia e os Babilônios foram obrigados a levantar o cerco de Jerusalém temporariamente.

Em Jerusalém esta pousa temporária serviu como mais uma oportunidade de praticar ainda mais injustiças: os notáveis e os governantes renegaram a promessa feita anteriormente de libertar os escravos. Jeremias, que tentou ir até Anatot para repartir a herança, foi acusado de desertar e foi encarcerado (Jr 37,11-16).

Não demorou muito, os Babilônios voltarem depois de derrotar os Egípcios e sitiarem Jerusalém de novo. Sedecias consulta o profeta em segredo; ele continua aconselhando rendição como sempre o que o rei não aceita. Mas, num gesto de clemência o rei manda transferir Jeremias da cadeia para o pátio da guarda. Entretanto os inimigos de Jeremias, considerando o um derrotista, jogaram no numa cisterna com a intenção de matá-lo. Mas Ebed-Melec obtém a permissão necessária e o salvou. Neste momento Hanamel, primo de Jeremias pede-o comprar-lhe um terreno em Anatot; é uma mensagem de esperança no meio de catástrofe (Jr 32 e 33). ) O rei Sedecias consulta Jeremias outra vez sobre a situação, mas, de novo, não aceita seu conselho de render-se, o que decreta o fim de Judá como uma nação independente (Jr 38,14-23; 39,1-10). Jerusalém cai em 586 a.C. e começa o desterro definitivo dos judaitas nas mãos de Babilônios.


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