Profeta Jeremias, de origem duma família sacerdotal de Anatot, é uma das figuras mais impressionantes do AT. Ele exerceu sua missão profética entre os anos 627 e 586 a.C. Era uma época de mudanças rápidas nas relações internacionais, na política interna de Judá, a falência das suas instituições tradicionais e o fim trágico de Judá - o exílio de Babilônia (586 a.C.).
O texto do livro do Profeta Jeremias que temos é extenso e nem é de fácil leitura. Contém classes distintas de textos: discursos em forma poética; discursos em prosa; relatos biográficos e autobiográficos. Os estudiosos opinam que a “desordem” atual do livro é o resultado de longo trabalho de composição, do qual é bem difícil reconstruir todas as etapas. No entanto, nós conhecemos sobre a vida e caráter do Jeremias melhor do que os de qualquer outro profeta do AT.
Jeremias recebeu a vocação profética ainda muito jovem (Jr 1, 4-10), no 13º ano do rei Josias. Ele não se sente atraído por essa missão; apavora dela e considera-se incapaz, porém Deus não admite desculpas e confiou nele uma tarefa dificílima: a de transmitir sua palavra em uns anos cruciais e trágicos da história de Judá. É conveniente dividir a vida do profeta em quatro períodos: os três primeiros coincidem com os reinados de Josias, Joaquim e Sedecias; o quarto corresponde aos anos que se seguiram à queda de Jerusalém (586 a.C.).
Rei Josias (627-609 a.C.) aproveitando do sossego que a situação que os conflitos entre as potencias dominantes (Síria, Egito e Babilônia) gerou, promoveu uma reforma religiosa e política que culminará no ano 622 com a descoberta do livro da Lei (2 Rs 22,8). Jeremias condenou tudo o que era de superficial e enganosa na reforma, mas é provável que ele tivesse colaborado com a reforma (cf. Jr 11,1-17; 17,19-27; 12,1-15). Estes oráculos são centrados na aliança, na observância do Sábado bem como no problema das injustiças; em toda probabilidade elas refletem a situação anterior à reforma definitiva. Embora o profeta tivesse vivido na época de cinco reis só falou bem de um deles - Josias (cf. Jr 22,15s).
No início do reinado de Joaquim (609-598 a.C.) Jeremias profetizou contra a confiança fetichista dos habitantes de Jerusalém no templo que, de fato, tinha sido se transformado em covil de ladrões (Jr.7,1-5). O rei persegue o profeta, mas a família de Safã o protegeu (Jr. 26). O rei decidiu construir um novo palácio e não hesitou usar métodos brutais para levantar o dinheiro necessário; Jeremias denunciou severamente essa obra (Jr. 22,13.19), além de profetizar a invasão vindo do norte como castigo por esquecer a aliança Javista.
Os sofrimentos consequentes não foram poucos para Jeremias. Ele foi encarcerado e feito passar por falso profeta perante grande parte do povo. No entanto para exortar à conversão ele dita suas profecias ao seu secretário Baruc (605 a.C.). O rolo que continha essas profecias foi destruído por rei que mandou prender o profeta e seu secretário, porém os dois conseguiram escapar (Jr. 36). Neste tempo Jeremias denunciava com vigor o esquecimento de Deus, rejeição dos profetas, falso culto, idolatria, o poder do dinheiro e as injustiças sociais. Para ele os responsáveis desse desleixo foram: o rei, os falsos profetas e os sacerdotes. É muito provável que as “confissões” (Jr. 11,18-12,6; 15,10-21; 17-14-18; 18,18-23; e 20,7-18), textos de desabafo do profeta perante de Deus, têm sua origem neste período.

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