Jeremias, após a
queda de Jerusalém
Após a queda de Jerusalém (586 a.C.) nós temos poucas
informações sobre Profeta Jeremias. Os Babilônios fizeram um trabalho
sistemático para lidar com os truculentos judaitas. Dividiram toda população em
três grupos: 1) os que permaneceriam livres, 2) os que iam ser deportados e 3) os
que deveriam ser julgados pessoalmente por Nabucodonosor. Jeremias,
conhecidamente partidário da rendição, ficou livre. Todavia, na confusão do
momento ele foi levado a Ramá junto com os exilados.
É então que aparece Nabuzardã com ordens para destruir o
templo, arrasar no chão o resto de Jerusalém e libertar Jeremias. Ele encontrou
o profeta em Ramá (Jr 40,1-6) e o permitiu escolher seu destino. Jeremias optou
para ficar com Godolias, o novo governante de Judá, no meio dos fugitivos e
soldados desertores. Aconteceu que logo o governador foi assassinado e a
situação tornou-se instável de novo. O povo, temendo represálias dos Babilônios,
quer fugir para Egito; embora Jeremias aconselhasse sua permanência em Judá,
ele mesmo foi obrigado a fugir para Egito. Os fugitivos estabeleceram-se em
Tafnis. Lá o profeta continua sua missão: ele acusa seu povo de recair na
idolatria; anuncia também a invasão do Egito (Jr 40,7-44,30). São estas, as
últimas informações que temos sobre Profeta Jeremias.
A partir de então a pessoa de Jeremias desaparece da
história. Contudo, sua mensagem continuou germinando no Egito, Judá e
Babilônia; crescendo e desenvolvendo-se até formar o livro do Prfoeta Jeremias.
O acontecido está em conformidade com o ensinamento da Bíblia, isto é, o
importante não é o homem, mas sim Deus e a sua palavra.
A pregação de Jeremias é demasiado rica para ser resumida em
poucas linhas. O profeta passou por situações muito diversas, entrou em contato
com pessoas muito diferentes e atravessou momentos de entusiasmo como também de
frustração. Assim ele pode nos ensinar muito a respeito da vocação profética e
das suas crises, sobre a tribulação sofrida diante dos falsos profetas, a
idolatria, o falso culto de Deus, e as injustiças.
‘Conversão’ poderia ser a palavra chave para entender sua
mensagem. Embora a imagem das esponsais não estivesse usada no texto de
Jeremias para falar das relações entre Deus e seu povo, o conteúdo da mesma
está muito presente na chamada que ele faz ao povo voltar para a Aliança de
Javé. A conversão que o profeta delineia, visa modificar aspectos muito
distintos da vida do povo: cultuais, sociais, mudança de mentalidade e também
de atitude. Entretanto, é o aspecto político da sua mensagem que provoca
maiores perseguições contra ele.
O chamado à conversão está ligado ao anúncio de castigo no
caso de o povo não mudar. Todavia, em face de iminente catástrofe, Jeremias
abre passagem para a esperança. Deus mudará a sorte do seu povo, transformará
tanto interior como exteriormente, Judá. Notamos, dessa maneira, como sua
mensagem realiza-se em momentos e etapas bem diversos; a sua vocação de
“arrancar e de arrasar, demolir e destruir, de edificar e de plantar” (Jr
1,10). Jeremias anunciou a maior tragédia da história do seu povo, sem deixar
de ser também o profeta da consolação, da esperança e da restauração.
Nós ainda vamos examinar textos que falam dos sofrimentos deste
Grande Profeta. Isso porque os muitos brasileiros que resistem heroicamente hoje
à invasão imperialista do país, que visa a recolonização do Brasil e sua
subjugação aos desígnios nefastos do FMI e similares, podem encontrar forças
para continuar destemidamente na vida sofrida do Profeta Jeremias.

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