quarta-feira, 1 de junho de 2016

O Profeta Oséias nos fala...


O Profeta Oséias nos fala...

 

          A literatura profética atravessa os séculos da monarquia no AT. O dicionário Aurélio define o movimento profético apontando para sua liderança carismática, seus aspectos religiosos e sociais, e acrescenta o seguinte comentário: “tal movimento é geralmente considerado pelas ciências sociais como expressão ideológica de grupos ou povos em situação de crise e dominação, e, especialmente, em situação de subordinação colonial”. Diante da manobra desonesta das forças obscurantistas que visam recolonizar o Brasil, é nos escritos proféticos que encontraremos iluminação e indicações para a missão dos discípulos missionários cidadãos.


          O livro do Profeta Oséias trata de um período (750-722 a.C) bem semelhante aos nossos dias. Grande prosperidade e expansão material junto com corrupção e golpes de estado (cf. 2Rs 14,25), pois os reis israelitas esqueceram sua missão e entrosaram se na política imperial. O programa brasileiro de construir uma sociedade igualitária também sofreu desvio semelhante, quando os governantes optararam realizar as extravagâncias escandalosas de consumo, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas que, de fato, marcam o “arrivismo” (inoportuno) num mundo desigual. Em duas décadas, Israel teve seis reis dos quais quatro foram assassinados. Ainda bem, que hoje o método golpista preferido é menos sangrento: midiática-parlamentar.
 

          Oséias condena a violência, corrupção e assassinatos, e propõe a reorganização da sociedade com estruturas justas (cf. Os 4,1-3). Sua pregação toda está impregnada por uma experiência pessoal tão profunda que se tornou para ele um símbolo (cf. Os 1 e 3). A sua esposa Gomer, a mãe de seus três filhos, deixou-lhe repetidas vezes para se entregar a outros amantes. Esse amor não correspondido ultrapassou o nível de frustração pessoal para ser uma enorme força de anúncio profético.
 

          É possível dividir o livro em três partes a fim de captar melhor sua mensagem. A primeira (1-3) e a segunda (4-11) apresentam duas comparações para falar do relacionamento entre Deus e Israel. A terceira parte (12-14) procura sintetizar o casamento e a rebeldia do filho, e conclui afirmando que Deus garante a vida. O profeta retrata a relação entre o Deus, sempre fiel e cheio de amor e seu povo que o abandona e prefere correr ao encontro dos ídolos. Ele denuncia todo tipo de idolatria (=esquecer o projeto de Deus, isto é, “uma sociedade igualitária”) que ele chama de prostituição.


          Os ritos de fertilidade e prostituição sagrada etc., práticas dos cananeus que infiltraram no culto dos hebreus, hoje têm suas versões nas privatizações, terceirizações e o monopólio que a “eficiência” capitalista idolatra. Tais ‘prostituições’, segundo Oséias, incluem também alianças políticas com potências estrangeiras que provocam dependência, exploração econômica e opressão (7,8-12; 8,9-10), os golpes de Estado que preservam interesses de uma pequena minoria (7,3-7), a confiança no poder militar e nas riquezas (8,14; 12,9) e todo tipo de injustiça (4,1-2; 6,8-9; 10,12-13).
 

          Oséias, porém, não é só um acusador, mas anuncia o amor fiel e misericordioso de Deus para com seu povo, se este se converter e voltar a conhecê-lo. Para o profeta, o conhecimento de Deus é uma prática que corresponda ao projeto de Deus, elaborado no deserto por ocasião do êxodo (cf. Ex 19,1-40,38 a aliança do Sinai). Então, sim: Javé receberá novamente seu povo como esposa, dispensando-lhe todo o carinho (2,4-25); ou tratando-o como filho (Os 11).

 

 

 

 

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