quinta-feira, 21 de abril de 2016

Profeta Jesus chega a Jerusalém.

Profeta Jesus chega a Jerusalém.

Nas igrejas tradicionais que têm sua liturgia organizada em ciclos anuais, o domingo de Ramos inaugura a Semana Santa que faz memória dos últimos dias de Jesus de Nazaré. No domingo próximo, o de ramos, a entrada do Nazareno na cidade de Jerusalém, o centro da vida dos judeus, é uma das marcas principais da liturgia do dia. A história desta entrada é contada em todos os quatro evangelhos (Mc 11,1-10; Mt 21,1-11; Lc 19,28-40 e Jo 12.12-16). Os detalhes comuns das narrativas são: o jumento emprestado; os mantos e ramos usados para marcar seu caminho nesta ocasião; e a multidão entusiasmada que o aclama como rei e o apresenta como profeta.
Nos evangelhos sinóticos, Jesus, ao chegar Jerusalém envia dois dos seus discípulos para buscar o jumento. Montado nele e aclamado por uma multidão entusiasmada ele entra na Cidade Santa. A multidão tinha visto os milagres que ele operou ao longo da sua subida para Jerusalém; a “subida” é uma chave hermenêutica importante para entender a obra de Lucas. João menciona que a multidão estava testemunhando agora o episódio de ressurreição de Lázaro (cf. Jo 12,17). Sl 118,26: “Bendito o que vem em nome de Javé! Hosana nas alturas!” e Zc 9,9: “Não temas filha de Jerusalém, pois agora seu rei está chegando, justo e vitorioso” resumem os conteúdos da aclamação popular que o Nazareno recebia. João faz questão de afirmar que os discípulos não entendiam o que estava acontecendo, e que só depois da ressurreição de Jesus, à luz das Escrituras é que deram conta disso.
Sua entrada na Cidade Santa causa uma agitação, de acordo com todas as quatro narrativas. Às perguntas dos hierosolimitanos sobre sua identidade respondeu a multidão: “Este é o profeta Jesus de Nazaré da Galileia”. Os sinóticos nos dá a impressão de que essa foi a única visita de Jesus a Cidade Santa durante toda sua vida como um profeta itinerante; João, pelo contrário, faz parecer que o Nazareno teria feito outras viagens neste período. Mas, todas as quatro narrativas falam de uma entrada real esta vez. Que Jesus mandou dois dos seus discípulos para buscar sua montaria é visto pelos comentaristas modernos como, “Jesus reivindica(r) o direito régio da requisição de meios de transporte, um direito conhecido em toda a Antiguidade” (Ratzinger, 2007,17).
Vimos que a pergunta sobre a identidade de Jesus que entra na Cidade Santa produziu duas respostas: (1) ele é um rei; (2) ele é um profeta. Vale lembrar que o crime pelo qual ele foi condenado pelo império foi proclamar se Rei dos Judeus. No entanto, há algo que é muito diferente em sua entrada e a dos reis no sentido convencional do termo. Normalmente um rei entra numa cidade como conquistador, dominador, exibindo a força das armas e das tropas que tem. No caso de Jesus, seu reino não depende nos meios convencionais, isto é, armas, para sua realização. Do exercício do seu reinado e seu fim inglorioso nós vamos ouvir mais durante a Semana Santa. Logo depois da sua chegada em Jerusalém, o profeta Jesus realiza uma ação simbólica que ameaça o sistema sociopolítico-econômico e religioso centrado no templo o que torna os moradores da cidade seus inimigos (cf. Lc 23,18-23).
Para falar sobre a reação das autoridades: os fariseus, de acordo com Lucas, pediram a Jesus para calar seus discípulos. A resposta de Jesus foi: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” citando Hab 2,11. Na versão de João, os fariseus debatiam entre si seu insucesso dizendo: “Vejam; todo mundo vai atrás de Jesus” (Jo12,19).
Pe. Kurian.

Many of the historical churches that have their annual liturgical circles well organized have the Palm Sunday at the beginning of the Holy Week that commemorate the last days of Jesus of Nazareth. On this day one of the highlights of the liturgy is the solemn entry of Jesus in Jerusalem the nerve center of Palestinian Judaismo. All the four gospels tell us the story of this entry (Mark 11,1-10; Mathew 21,1-11; Lc 19,28-40; John 12,12-16). Some details are common to all the narratives: the donkey on which Jesus rides, clothes spread in the path of Jesus as he entered the city; the enthusiastic crowd that aclaims him king and prophet.
According to the sinoptics, Jesus, on reaching Jerusalem, sends two of his disciples to get the donkey. Seated on the animal he enteres the city acclaimed by a group of enthusiasts. Many in the crowd had witnessed the miracles he worked along the way to Jerusalem. “Going up to Jersualem” is an important hermeneutical key to understand the literary project of Luke. Evangelist John makes it a point to mention that the enthusiastic crowd had witnessed the resurrection of Jesus (John 12,17). Ps 118, 26: “Blessed is he who comes in the name of the Lord! Hosana in the highest!” and Zacharias 9,9: “Fear not daughter of Sion, for your king comes, just and victorious” sum up the popular acclamation of Jesus. It is noteworthy that the disciples were not able understand what was happening and that only after the resurrection of Jesus matters were clear to them.
All the four gospels tell us that this solemn entry of Jesus in Jerusalem caused agitation. To the inquisitive jerusalemites the crowd around Jesus answered: “this is the prophet from Nazareth, Galileia”. The sinoptics make it seem that this was the only visit that Jesus made to Jerusalem during his life as an itinerant prophet, while the Gospel of John creates and impression that he did make other visits to the Holy City. But all of them insist on the royal nature of this entry. That Jesus sent two his men to requistion the donkey is seen by modern scholars as the royal prerogative, a well known ancient custom (Ratzinger 2007, 17).


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