Profeta Jesus chega a Jerusalém.
Nas igrejas tradicionais
que têm sua liturgia organizada em ciclos anuais, o domingo de Ramos inaugura a
Semana Santa que faz memória dos últimos dias de Jesus de Nazaré. No domingo
próximo, o de ramos, a entrada do Nazareno na cidade de Jerusalém, o centro da
vida dos judeus, é uma das marcas principais da liturgia do dia. A história
desta entrada é contada em todos os quatro evangelhos (Mc 11,1-10; Mt 21,1-11;
Lc 19,28-40 e Jo 12.12-16). Os detalhes comuns das narrativas são: o jumento
emprestado; os mantos e ramos usados para marcar seu caminho nesta ocasião; e a
multidão entusiasmada que o aclama como rei e o apresenta como profeta.
Nos evangelhos
sinóticos, Jesus, ao chegar Jerusalém envia dois dos seus discípulos para
buscar o jumento. Montado nele e aclamado por uma multidão entusiasmada ele
entra na Cidade Santa. A multidão tinha visto os milagres que ele operou ao
longo da sua subida para Jerusalém; a “subida” é uma chave hermenêutica
importante para entender a obra de Lucas. João menciona que a multidão estava
testemunhando agora o episódio de ressurreição de Lázaro (cf. Jo 12,17). Sl
118,26: “Bendito o que vem em nome de Javé! Hosana nas alturas!” e Zc 9,9: “Não
temas filha de Jerusalém, pois agora seu rei está chegando, justo e vitorioso”
resumem os conteúdos da aclamação popular que o Nazareno recebia. João faz
questão de afirmar que os discípulos não entendiam o que estava acontecendo, e
que só depois da ressurreição de Jesus, à luz das Escrituras é que deram conta
disso.
Sua entrada na Cidade
Santa causa uma agitação, de acordo com todas as quatro narrativas. Às
perguntas dos hierosolimitanos sobre sua identidade respondeu a multidão: “Este
é o profeta Jesus de Nazaré da Galileia”. Os sinóticos nos dá a impressão de
que essa foi a única visita de Jesus a Cidade Santa durante toda sua vida como
um profeta itinerante; João, pelo contrário, faz parecer que o Nazareno teria
feito outras viagens neste período. Mas, todas as quatro narrativas falam de
uma entrada real esta vez. Que Jesus mandou dois dos seus discípulos para
buscar sua montaria é visto pelos comentaristas modernos como, “Jesus
reivindica(r) o direito régio da requisição de meios de transporte, um direito
conhecido em toda a Antiguidade” (Ratzinger, 2007,17).
Vimos que a pergunta
sobre a identidade de Jesus que entra na Cidade Santa produziu duas respostas:
(1) ele é um rei; (2) ele é um profeta. Vale lembrar que o crime pelo qual ele
foi condenado pelo império foi proclamar se Rei dos Judeus. No entanto, há algo
que é muito diferente em sua entrada e a dos reis no sentido convencional do
termo. Normalmente um rei entra numa cidade como conquistador, dominador,
exibindo a força das armas e das tropas que tem. No caso de Jesus, seu reino
não depende nos meios convencionais, isto é, armas, para sua realização. Do
exercício do seu reinado e seu fim inglorioso nós vamos ouvir mais durante a
Semana Santa. Logo depois da sua chegada em Jerusalém, o profeta Jesus realiza
uma ação simbólica que ameaça o sistema sociopolítico-econômico e religioso
centrado no templo o que torna os moradores da cidade seus inimigos (cf. Lc
23,18-23).
Para falar sobre a
reação das autoridades: os fariseus, de acordo com Lucas, pediram a Jesus para
calar seus discípulos. A resposta de Jesus foi: “Se eles se calarem, as pedras
gritarão” citando Hab 2,11. Na versão de João, os fariseus debatiam entre si
seu insucesso dizendo: “Vejam; todo mundo vai atrás de Jesus” (Jo12,19).
Pe. Kurian.
Many of the historical churches that have their annual
liturgical circles well organized have the Palm Sunday at the beginning of the
Holy Week that commemorate the last days of Jesus of Nazareth. On this day one
of the highlights of the liturgy is the solemn entry of Jesus in Jerusalem the
nerve center of Palestinian Judaismo. All the four gospels tell us the story of
this entry (Mark 11,1-10; Mathew 21,1-11; Lc 19,28-40; John 12,12-16). Some
details are common to all the narratives: the donkey on which Jesus rides,
clothes spread in the path of Jesus as he entered the city; the enthusiastic
crowd that aclaims him king and prophet.
According to the sinoptics, Jesus, on reaching
Jerusalem, sends two of his disciples to get the donkey. Seated on the animal
he enteres the city acclaimed by a group of enthusiasts. Many in the crowd had
witnessed the miracles he worked along the way to Jerusalem. “Going up to
Jersualem” is an important hermeneutical key to understand the literary project
of Luke. Evangelist John makes it a point to mention that the enthusiastic
crowd had witnessed the resurrection of Jesus (John 12,17). Ps 118, 26:
“Blessed is he who comes in the name of the Lord! Hosana in the highest!” and
Zacharias 9,9: “Fear not daughter of Sion, for your king comes, just and
victorious” sum up the popular acclamation of Jesus. It is noteworthy that the
disciples were not able understand what was happening and that only after the
resurrection of Jesus matters were clear to them.
All the four gospels tell us that this solemn entry of
Jesus in Jerusalem caused agitation. To the inquisitive jerusalemites the crowd
around Jesus answered: “this is the prophet from Nazareth, Galileia”. The
sinoptics make it seem that this was the only visit that Jesus made to
Jerusalem during his life as an itinerant prophet, while the Gospel of John
creates and impression that he did make other visits to the Holy City. But all
of them insist on the royal nature of this entry. That Jesus sent two his men
to requistion the donkey is seen by modern scholars as the royal prerogative, a
well known ancient custom (Ratzinger 2007, 17).

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