Acreditar
na ressurreição de Jesus – a força da mudança social.
O Livro dos atos dos Apóstolos
nos conta a história fascinante de como o anúncio da ressurreição
de Jesus começou a se espalhar no mundo inteiro. Esta semana (da
ressurreição) a liturgia nos apresenta textos que tratam do início
da pregação apostólica. Os Apóstolos foram transformados em
testemunhas destemidos no dia de Pentecostes. É Pedro que recebe o
destaque nos capítulos iniciais. Seu discurso (At 2,14-36) a
multidão interpreta o fim trágico de Jesus de Nazaré na cruz à
luz das Sagradas Escrituras. Seu sequestro, condenação e execução
entre os criminosos recebem sentido de fazer parte do desígnio de
Deus. Embora o império e seus colaboradores tivessem imaginado que
tudo o que o profeta de Galileia representava acabaria com sua morte
na cruz, aconteceu algo inesperado e incompreensível. Seus
discípulos, agora, são anunciadores de uma novidade na história
humana (At 2,32). A fala de Pedro sobre como as autoridades e a
população rejeitaram Jesus de Nazaré, em vez de gerar hostilidade,
produziu uma reação inesperada. Ao ouvir que o crucificado foi
ressuscitado e é constituído Senhor e Cristo, por Deus de Israel,
não poucos da multidão entrou na dinâmica de conversão e já se
forma uma comunidade da fé através do batismo, para se salvar
“dessa gente corrompida” (At 2,40).
Além de anunciar a boa nova de
Jesus os discípulos também começam realizar obras semelhantes às
do Nazareno antes de ser morto. A história do coxo que pedia esmolas
no pátio do templo (At 3) é o exemplo oferecido neste respeito.
Pedro e João, em vez de dar uma esmola, libertam-no e ele não vive
mais dependente. Essa mudança foi efetuada em Nome de Jesus, o que
causou alegria naquele que foi curado, surpresa, admiração na
população e espanto nas autoridades. Pedro faz outro discurso;
Jesus de Nazaré foi constituído Senhor e Cristo; foi o Deus de
Abraão, Isaac e Jacó que glorificou este Jesus, o enviado de Deus
que o povo e as autoridades rejeitaram; é em Nome deste Jesus que o
coxo foi curado; Jesus é o novo Moisés; por fim Pedro exorta o povo
ao arrependimento.
A reação das autoridades não
demorou (cf. At 4). O acontecido gerou uma situação agitada. O
número dos crentes em Jesus crescia. Preocupados, os governantes
encarceraram Pedro e João e fizeram inquérito sobre a autoridade
para mudar a situação do mendigo. Tomando a palavra, por sua vez,
Pedro fez um pronunciamento surpreendente mostrando que não existia
outro Nome, a não ser o do Jesus de Nazaré para a salvação da
humanidade. Seus interrogadores ficaram perplexos pela força de
testemunho deste pescador galileu; fizeram uma consulta particular
entre si e decidiram proibir o uso do nome do Ressuscitado; ameaçaram
os discípulos de castigos severos e os soltaram; eles, porém saíram
do inquérito glorificando a Deus por tudo o que tinha acontecido.
Por outro lado os trechos dos
evangelhos lidos neste período nos falam das dificuldades que até
seus colaboradores íntimos tiveram para chegar a acreditar na
ressurreição de Jesus. Em primeiro lugar o império esforçou-se
para negar o fato de ressurreição com subornos e boatos (cf Mt
28,10-15). Mesmo a Maria Madalena, uma das discípulas mais próximas
de Jesus não reconhece o Ressuscitado no primeiro momento (cf. Jo
20,15-16), e o machismo prevalente fez com que ela nem foi acreditada
quando ela falava do seu encontro com o Ressuscitado (cf. Mc
19,6-11). Finalmente, o episódio de Tomé incrédulo (Jo 20,24-29)
sinaliza a nossa resistência à fé no Ressuscitado como a força de
mudança social.

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