sábado, 2 de abril de 2016

Acreditar na ressurreição de Jesus - a força da mudança social.

Acreditar na ressurreição de Jesus – a força da mudança social.


O Livro dos atos dos Apóstolos nos conta a história fascinante de como o anúncio da ressurreição de Jesus começou a se espalhar no mundo inteiro. Esta semana (da ressurreição) a liturgia nos apresenta textos que tratam do início da pregação apostólica. Os Apóstolos foram transformados em testemunhas destemidos no dia de Pentecostes. É Pedro que recebe o destaque nos capítulos iniciais. Seu discurso (At 2,14-36) a multidão interpreta o fim trágico de Jesus de Nazaré na cruz à luz das Sagradas Escrituras. Seu sequestro, condenação e execução entre os criminosos recebem sentido de fazer parte do desígnio de Deus. Embora o império e seus colaboradores tivessem imaginado que tudo o que o profeta de Galileia representava acabaria com sua morte na cruz, aconteceu algo inesperado e incompreensível. Seus discípulos, agora, são anunciadores de uma novidade na história humana (At 2,32). A fala de Pedro sobre como as autoridades e a população rejeitaram Jesus de Nazaré, em vez de gerar hostilidade, produziu uma reação inesperada. Ao ouvir que o crucificado foi ressuscitado e é constituído Senhor e Cristo, por Deus de Israel, não poucos da multidão entrou na dinâmica de conversão e já se forma uma comunidade da fé através do batismo, para se salvar “dessa gente corrompida” (At 2,40).

Além de anunciar a boa nova de Jesus os discípulos também começam realizar obras semelhantes às do Nazareno antes de ser morto. A história do coxo que pedia esmolas no pátio do templo (At 3) é o exemplo oferecido neste respeito. Pedro e João, em vez de dar uma esmola, libertam-no e ele não vive mais dependente. Essa mudança foi efetuada em Nome de Jesus, o que causou alegria naquele que foi curado, surpresa, admiração na população e espanto nas autoridades. Pedro faz outro discurso; Jesus de Nazaré foi constituído Senhor e Cristo; foi o Deus de Abraão, Isaac e Jacó que glorificou este Jesus, o enviado de Deus que o povo e as autoridades rejeitaram; é em Nome deste Jesus que o coxo foi curado; Jesus é o novo Moisés; por fim Pedro exorta o povo ao arrependimento.

A reação das autoridades não demorou (cf. At 4). O acontecido gerou uma situação agitada. O número dos crentes em Jesus crescia. Preocupados, os governantes encarceraram Pedro e João e fizeram inquérito sobre a autoridade para mudar a situação do mendigo. Tomando a palavra, por sua vez, Pedro fez um pronunciamento surpreendente mostrando que não existia outro Nome, a não ser o do Jesus de Nazaré para a salvação da humanidade. Seus interrogadores ficaram perplexos pela força de testemunho deste pescador galileu; fizeram uma consulta particular entre si e decidiram proibir o uso do nome do Ressuscitado; ameaçaram os discípulos de castigos severos e os soltaram; eles, porém saíram do inquérito glorificando a Deus por tudo o que tinha acontecido.

Por outro lado os trechos dos evangelhos lidos neste período nos falam das dificuldades que até seus colaboradores íntimos tiveram para chegar a acreditar na ressurreição de Jesus. Em primeiro lugar o império esforçou-se para negar o fato de ressurreição com subornos e boatos (cf Mt 28,10-15). Mesmo a Maria Madalena, uma das discípulas mais próximas de Jesus não reconhece o Ressuscitado no primeiro momento (cf. Jo 20,15-16), e o machismo prevalente fez com que ela nem foi acreditada quando ela falava do seu encontro com o Ressuscitado (cf. Mc 19,6-11). Finalmente, o episódio de Tomé incrédulo (Jo 20,24-29) sinaliza a nossa resistência à fé no Ressuscitado como a força de mudança social.

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