sexta-feira, 25 de março de 2016

Profeta Jesus chega a Jerusalém.

Profeta Jesus chega a Jerusalém.

Nas igrejas tradicionais que têm sua liturgia organizada em ciclos anuais, o domingo de Ramos inaugura a Semana Santa que faz memória dos últimos dias de Jesus de Nazaré. No domingo próximo, o de ramos, a entrada do Nazareno na cidade de Jerusalém, o centro da vida dos judeus, é uma das marcas principais da liturgia do dia. A história desta entrada é contada em todos os quatro evangelhos (Mc 11,1-10; Mt 21,1-11; Lc 19,28-40 e Jo 12.12-16). Os detalhes comuns das narrativas são: o jumento emprestado; os mantos e ramos usados para marcar seu caminho nesta ocasião; e a multidão entusiasmada que o aclama como rei e o apresenta como profeta.
Nos evangelhos sinóticos, Jesus, ao chegar Jerusalém envia dois dos seus discípulos para buscar o jumento. Montado nele e aclamado por uma multidão entusiasmada ele entra na Cidade Santa. A multidão tinha visto os milagres que ele operou ao longo da sua subida para Jerusalém; a “subida” é uma chave hermenêutica importante para entender a obra de Lucas. João menciona que a multidão estava testemunhando agora o episódio de ressurreição de Lázaro (cf. Jo 12,17). Sl 118,26: “Bendito o que vem em nome de Javé! Hosana nas alturas!” e Zc 9,9: “Não temas filha de Jerusalém, pois agora seu rei está chegando, justo e vitorioso” resumem os conteúdos da aclamação popular que o Nazareno recebia. João faz questão de afirmar que os discípulos não entendiam o que estava acontecendo, e que só depois da ressurreição de Jesus, à luz das Escrituras é que deram conta disso.
Sua entrada na Cidade Santa causa uma agitação, de acordo com todas as quatro narrativas. Às perguntas dos hierosolimitanos sobre sua identidade respondeu a multidão: “Este é o profeta Jesus de Nazaré da Galileia”. Os sinóticos nos dá a impressão de que essa foi a única visita de Jesus a Cidade Santa durante toda sua vida como um profeta itinerante; João, pelo contrário, faz parecer que o Nazareno teria feito outras viagens neste período. Mas, todas as quatro narrativas falam de uma entrada real esta vez. Que Jesus mandou dois dos seus discípulos para buscar sua montaria é visto pelos comentaristas modernos como, “Jesus reivindica(r) o direito régio da requisição de meios de transporte, um direito conhecido em toda a Antiguidade” (Ratzinger, 2007,17).
Vimos que a pergunta sobre a identidade de Jesus que entra na Cidade Santa produziu duas respostas: (1) ele é um rei; (2) ele é um profeta. Vale lembrar que o crime pelo qual ele foi condenado pelo império foi proclamar se Rei dos Judeus. No entanto, há algo que é muito diferente em sua entrada e a dos reis no sentido convencional do termo. Normalmente um rei entra numa cidade como conquistador, dominador, exibindo a força das armas e das tropas que tem. No caso de Jesus, seu reino não depende nos meios convencionais, isto é, armas, para sua realização. Do exercício do seu reinado e seu fim inglorioso nós vamos ouvir mais durante a Semana Santa. Logo depois da sua chegada em Jerusalém, o profeta Jesus realiza uma ação simbólica que ameaça o sistema sociopolítico-econômico e religioso centrado no templo o que torna os moradores da cidade seus inimigos (cf. Lc 23,18-23).
Para falar sobre a reação das autoridades: os fariseus, de acordo com Lucas, pediram a Jesus para calar seus discípulos. A resposta de Jesus foi: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” citando Hab 2,11. Na versão de João, os fariseus debatiam entre si seu insucesso dizendo: “Vejam; todo mundo vai atrás de Jesus” (Jo12,19).


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